Quando lemos o relato da Queda, em Gênesis 3, conseguimos, quando muito, nos identificar com o casal de seres humanos que foi enganado pela serpente. A própria palavra ‘enganado’ já volta a nos iludir e revela que não aprendemos muito depois disso. Continuamos a nos ver como vítimas incapazes de assumirem a responsabilidade pelos seus atos. Foi ele, foi ela, foi o diabo, qualquer um, menos eu! 
A Queda, porém, é tão mais danosa que nos faz ignorar que não só passamos a ser imitadores daquele primeiro casal, fugindo de nossas responsabilidades e dando desculpas esfarrapadas. Além disso, deixamos de buscar e nos orientar por Deus, aquele que nos criou à sua imagem e semelhança, para nos espelharmos na própria serpente. Assim como ela, semeamos a duvida, colocamos a Palavra de Deus sob suspeita, levamos outros ao erro, mentimos e, vejam só, até dizemos a verdade. Esta, porém, sempre misturada ao erro, à mentira, à dúvida, afinal, a verdade só importa como instrumento para manipular, enganar, desviar. São as meias verdades que, no fim, não passam de mentiras completas. 
Foi isso mesmo que Deus disse? Não. Não é bem assim! 
Nas palavras do Reformador Martim Lutero: 
“…a maior tentação foi ouvir uma outra palavra e afastar-se daquela que Deus havia proferido”. 
Depois disso, não queremos mais ouvir qualquer outra voz a não ser a nossa. Já acreditamos piamente na verdade da serpente: “…seus olhos se abrirão, e vocês serão como Deus” (Gênesis 3.5).

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