A verdade.
Uma teoria? Uma ideia? Um fato?
Tanto o poder religioso como os poderes políticos estavam incomodados com aquele jovem galileu ousado, desafiador, polêmico.
Jesus falava de algo que gerava incômodo aos poderosos. Aqueles que precisavam manter seu discurso, as aparências, o controle, viam em Jesus um risco.
“Você é o rei dos judeus”, questiona Pilatos (João 18.33).
Se Jesus tinha trabalho até para convencer o seu grupo de discípulos mais imediatas sobre a natureza real de seu reino, imagine diante desses usurpadores metidos a poderosos em sua pompa e títulos de grandeza!
Há quem diga que diante da pergunta pela verdade Jesus se calou. Querem indicar, talvez, que nem mesmo Cristo ousaria dar uma resposta e definir o que seria a verdade.
Quando dois mundos diferentes se encontram, as palavras podem ser proferidas a partir de realidades conflitantes.
A maneira como a cena, no relato de João, é cortada, não indica tanto um Jesus que permanece mudo diante de um Pilatos ansioso por uma resposta. Antes parece revelar um político pouco interessado em que Jesus teria a dizer.
No entanto, retornemos à questão: O que é a verdade?
Como sabemos, porém, Jesus entabulou muitos outros diálogos em sua trajetória na Antiga Palestina do primeiro século.
Anteriormente, naquela ocasião respondendo à pergunta de um dos discípulos, Jesus parece indicar uma possível resposta.
A resposta de Jesus revela que a verdade tem a ver com caminho e vida. Não é nenhuma abstração, nenhuma ideologia, nenhum conjunto de regras ou de ideias que uma pessoa pode se arrogar e com isso dar na cara de alguém. Jesus não cita nenhum grande filósofo grego (que naquela altura da história já ostentava nomes famosos como Sócrates, Platão e Aristóteles). Ele também não tira do alforge nenhum livro ou manuscrito. Jesus também não começa a formular, ele mesmo, uma bela teoria a respeito da verdade.
Tal verdade não pode ser encontrada em meras discussões ou elaboradas argumentações. Não se trata de algo que podemos possuir para decretarmos que temos a razão sobre a verdade de outro alguém. Não pode ser convertida em arma ou argumento em guerras ideológicas e na projeção de egos carentes em busca de autoafirmação. Não. A verdade não é monopólio de nenhum pecador. Tudo o que podemos diante dela é buscar conhecê-la por meio de um relacionamento que transcende a mera racionalização fria e abstrata. Não tem tanto a ver com saber algo, mas em conhecer alguém.
Quando Jesus veio para fora, usando a coroa de espinhos e a capa de púrpura, disse-lhes Pilatos: “Eis o homem!” (João 19.5).








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