A vida de Dietrich Bonhoeffer é amplamente reconhecida por sua resistência ao nazismo e por sua profunda contribuição à teologia cristã. No entanto, um capítulo pouco explorado de sua história envolve suas viagens ao México e a Cuba, entre 1930 e 1931. Esses momentos, ocorridos durante sua estadia nos Estados Unidos, sem dúvida também contribuíram para a construção de sua visão teológica e pastoral. Neste artigo, vamos explorar essas viagens e ver como elas impactaram a trajetória desse grande pensador cristão.

O Contexto: Bonhoeffer nos Estados Unidos

Em 1930, Bonhoeffer recebeu uma bolsa de estudos para realizar um pós-doutorado no Union Theological Seminary, em Nova York. Já um jovem teólogo promissor, ele queria se aprofundar nos debates teológicos internacionais. Durante esse período, teve contato com a teologia liberal predominante nos EUA e se encantou com a espiritualidade vibrante das igrejas afro-americanas, especialmente na Abyssinian Baptist Church, no Harlem.

Foi nesse contexto que Bonhoeffer decidiu explorar mais as Américas, viajando para Cuba e para o México, acompanhado de amigos como Jean Lasserre, Erwin Sutz e Paul Lehmann. Essas experiências ajudaram a moldar sua percepção sobre a diversidade do cristianismo e seu impacto nas diferentes culturas.

Conheça mais sobre a experiência de Bonhoeffer nos Estados Unidos.

A Passagem de Bonhoeffer por Cuba (1930-1931)

No final de 1930, durante o recesso de Natal no Union Theological Seminary, Bonhoeffer viajou para Havana, Cuba, onde teve contato direto com a pequena comunidade luterana de imigrantes alemães.

Atividades em Havana:

  • Ministrou aulas na escola alemã de Havana, compartilhando sua visão teológica com os jovens estudantes.
  • Pregou em cultos organizados pela comunidade evangélica alemã na cidade.
  • Em cartas enviadas a amigos e familiares, descreveu suas impressões sobre a ilha, mencionando o calor intenso e a exuberância tropical.

Embora tenha permanecido pouco tempo em Cuba, essa experiência serviu para contrastar sua vivência na metópole norte-americana com um ambiente mais simples e comunitário.

A Viagem ao México (Maio-Junho de 1931)

No primeiro semestre de 1931, Bonhoeffer e seus amigos embarcaram em uma viagem ao México a bordo de um Oldsmobile 1927, com Paul Lehmann ao volante. A jornada começou em Nova York e seguiu pelo sul dos EUA, passando por Chicago, Fort Worth (Texas) e Laredo (Texas), até cruzar a fronteira com o México.

Roteiro e Experiências no México:

  • Interesse pela cultura e história local: Bonhoeffer visitou comunidades evangélicas, seminários protestantes e ruínas astecas, demonstrando grande curiosidade pela cultura mexicana.
  • Evento sobre pacifismo cristão: Participou de uma conferência em Victoria, organizada por um amigo quaker, onde discursou sobre a paz ao lado de Lasserre.
  • Contato com protestantes mexicanos: Bonhoeffer ficou impressionado com a presença protestante em um país majoritariamente católico e observou como a fé cristã se adaptava a diferentes contextos culturais.

O México, que ainda vivia o impacto da Revolução Mexicana (1910-1920), ofereceu a Bonhoeffer uma perspectiva mais ampla sobre os desafios sociais e o papel da Igreja.

O Impacto das Viagens na Vida de Bonhoeffer

As experiências no México e em Cuba foram muito mais do que simples viagens turísticas para Bonhoeffer. Elas desempenharam um papel significativo na sua formação como teólogo e líder cristão. Bonhoeffer era um jovem curioso e sempre sedento por novos aprendizados.

Principais aprendizados:

  • Ampliação da visão sobre a Igreja: Bonhoeffer passou a enxergar a Igreja como uma comunidade global, que vai além das tradições luteranas alemãs.
  • Crítica à teologia liberal americana: Em contrapartida ao academicismo da teologia liberal nos EUA, Bonhoeffer encontrou uma fé mais comunitária e envolvida com as realidades sociais na América Latina.
  • Interação entre fé e cultura: O contato com culturas diferentes o fez refletir sobre a inculturação do cristianismo e sobre como a Igreja deve se adaptar sem perder sua essência.

Essas viagens, somadas à sua experiência na igreja afro-americana do Harlem, ajudaram a moldar a teologia prática de Bonhoeffer, que mais tarde influenciaria sua resistência ao nazismo e sua defesa de um cristianismo autêntico.

Conclusão

As viagens de Dietrich Bonhoeffer ao México e a Cuba são pouco mencionadas em biografias tradicionais, mas tiveram um papel crucial em sua formação. Elas não apenas ampliaram sua compreensão sobre a Igreja e a teologia, mas também reforçaram seu compromisso com uma fé encarnada na realidade histórica.

Explorar essas experiências nos ajuda a compreender melhor a complexidade de Bonhoeffer como teólogo e líder cristão, e sua relevância para os desafios da fé nos dias de hoje. Seu testemunho nos convida a refletir sobre como nossa fé pode ser vivida de maneira autêntica e transformadora no mundo contemporâneo.


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