(Mas muitos “pastores” agem como se tivesse dito)
Em João 21:15–17, Jesus restaura Pedro com uma ordem tão direta quanto sacra:
“Apascenta as minhas ovelhas.”
Três vezes ele repete. Três vezes, o amor por Cristo é vinculado à responsabilidade de cuidar do rebanho.
Apascentar — boskein e poimainein no grego — significa alimentar, guiar, proteger, curar.
É cheiro de lã, lama e suor. É vida junto do rebanho, não acima dele.
Mas basta um olhar atento ao cenário eclesiástico atual, e parece que houve uma nova “tradução” do texto — não inspirada, mas interessada.
Afinal, o que muitos líderes parecem ouvir?
“Disse Jesus: ‘Entretenha minhas ovelhas’ — com cultos performáticos, luzes, fumaça e mensagens açucaradas que evitam o arrependimento, mas garantem curtidas.”
“Disse Jesus: ‘Explore minhas ovelhas’ — transformando o altar em balcão, o dízimo em jato executivo, e a fé em produto premium.”
“Disse Jesus: ‘Mobilize minhas ovelhas para suas causas políticas’ — onde o púlpito vira palanque e o rebanho, massa de manobra.”
“Disse Jesus: ‘Levante a autoestima das minhas ovelhas’ — substituindo o arrependimento por afirmações positivas e o discipulado por slogans de empoderamento.”
“Disse Jesus: ‘Construa templos monumentais para as minhas ovelhas’ — mas esqueça de visitá-las quando adoecerem.”
“Disse Jesus: ‘Crie uma subcultura gospel para as minhas ovelhas’ — que consome, mas não confronta.”
O resultado?
Troca-se pastoreio por performance, missão por marketing, discípulos por audiência.
Enquanto Jesus pergunta “Tu me amas?”, muitos respondem com métricas:
seguidores, likes, views, eventos, patrocínios.
A denúncia já estava lá…
O profeta Ezequiel viu tudo isso antes (Ez 34:2-4):
“Ai dos pastores que apascentam a si mesmos! […] Não fortalecestes a fraca, não curastes a doente, não ligastes a quebrada, não tornastes a trazer a desgarrada…”
Hoje:
- Curam feridas? Não. Vendam unções.
- Buscam o perdido? Não. Excluem os “complicados.”
- Alimentam com a Palavra? Não. Sobrecarregam com campanhas.
O RESGATE URGENTE
O chamado de Jesus a Pedro foi um antídoto contra o clericalismo e a autopromoção.
Pastores não são CEOs, gurus ou influencers. São servos.
E sua missão se mede assim:
✔️ Ovelhas alimentadas, não iludidas.
✔️ Feridas curadas, não exploradas.
✔️ Rebanho unido, não manipulado.
É hora de voltar às palavras não-negociáveis de Cristo:
“Apascenta” — não entretenha.
“Minhas ovelhas” — não tuas.
“Amas-me?” — não “quantos seguidores tens?”.
P.S.: Enquanto alguns compram jatinhos com dinheiro das ovelhas,
o Bom Pastor comprou as ovelhas com seu próprio sangue (Atos 20:28).
A diferença é escandalosa. E eterna.
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