O Que Aconteceu com o Pastor? Um Alerta a Partir de Lutero sobre o Verdadeiro Pastoreio

🎯 O que Martim Lutero diria aos pastores de hoje — celebridades de púlpito, gestores de marca e gurus da prosperidade? Spoiler: nada brando.

Descubra o que Martim Lutero nos ensina sobre o verdadeiro chamado pastoral e por que muitos pastores atuais se afastaram do modelo do Bom Pastor. Uma crítica bíblica e urgente. Como a visão de Martim Lutero sobre o ministério pastoral pode nos alertar para o perigo de líderes que priorizam marketing em vez de cuidado?

Introdução – Um Despertar Necessário
Imagine um jovem Martim Lutero na capela de Wittenberg, lendo a passagem de João 21 onde Jesus, após ressuscitar, pergunta a Pedro três vezes: “Tu me amas?” e comissiona-o a “apascentar as minhas ovelhas”. Para Lutero, não era um ritual a ser acrescido ao calendário, mas um chamado radical ao serviço humilde. Hoje, porém, esse mandato ecoa distante em muitas igrejas, ofuscado por luzes de palco, métricas de redes sociais e agendas pessoais.


O Contexto de Lutero e a Vocação Pastoral

No século XVI, a Reforma lutou para resgatar a centralidade do evangelho e combater a mercantilização da fé. Lutero denunciou pregadores que “usavam o nome de Deus para suas obras humanas” – vendendo indulgências, inflamando vaidades ou buscando riqueza. Para ele, o pastor não era um empresário espiritual, mas um servo chamado por Deus: alguém cujo ministério se define pela teologia da cruz, isto é, pelo compartilhamento do sofrimento, pelo anúncio incessante do arrependimento e pelo cuidado prático das almas (Romanos 10:17; 2 Coríntios 2:15).


O Desvio Contemporâneo: Púlpito ou Palco?

Avançamos cinco séculos e nos deparamos com um cenário curioso: líderes que se apresentam como pastores, mas cujas prioridades parecem mais alinhadas ao marketing do que ao ministério. Em vez de “apascentar”, muitos se especializam em entreter — shows pirotécnicos, pregações ensaiadas para agradar a plateia, seminários de prosperidade que vendem esperança em troca de cifras cada vez maiores.

A lógica mercadológica invadiu o templo: o dízimo virou moeda de investimento em jet-sets e propriedades sofisticadas; a pregação, produto para consumo; e o culto, espetáculo cuidadosamente coreografado. Assim, o “rebanho” é mais uma audiência do que um grupo de discípulos clamando por alimento espiritual.


O Modelo Bíblico: Cheiro de Ovelha e Serviço Silencioso

Em contraste, o verdadeiro pastor — no entendimento luterano — “cheira a ovelha”. Ele não foge ao odor da necessidade humana. Visita hospitais sem alarde (Tiago 5:14), acompanha famílias enlutadas sem buscar holofotes (Romanos 12:15) e se ocupa principalmente daqueles que “nada têm a oferecer em troca” (Lucas 14:13-14). Seu sucesso não é medido em seguidores, mas em vidas transformadas pela Palavra.

Lutero lembra que a autoridade pastoral não se apoia em títulos ou vestes, mas na pregação fiel da Escritura. Quando alguém entra em uma igreja e sai diferente — com a consciência impactada pelo evangelho —, ali há um verdadeiro pastor em ação.


Recuperando o Mandato de Jesus

Jesus não falou em entretenimento, expansão de público ou fortalecimento de marcas. Ele falou em cuidar:

“Apascenta as minhas ovelhas” (João 21:17).

Isso envolve alimentar, guiar, proteger e curar. É um ministério de serviço cotidiano, de renúncia e, frequentemente, de invisibilidade. Lutero chamaria de “escândalo da cruz” a escolha de viver para os outros, sem buscar glória pessoal.


Conclusão – Um Chamado à Fidelidade

Se a Igreja deseja recobrar sua credibilidade, precisa reencontrar o pastor conforme o coração de Deus e a teologia de Lutero. É urgente resgatar:

  • A centralidade da Palavra, pregada com coragem e verdade.
  • A teologia da cruz, disposta a sofrer pelo rebanho.
  • O serviço silencioso, onde “apascentar” significa carregar o peso do outro.

Que possamos ouvir de novo o eco daquele “Tu me amas?” e responder com o desejo sincero de apascentar as ovelhas de Cristo, não para promover a si mesmos, mas para revelar, em vida e morte, o amor que redime.


Como estimular o debate e a reflexão a respeito da igreja hoje? Não seria muita pretensão escrever 95 teses hoje? Certamente alguém poderia questionar. A resposta é não, não seria. Teses são propostas para discussão, aprofundamento e diálogo, jamais veredictos.

A famosas teses de Lutero tinham por tema, principalmente, a questão das indulgências. Quando Martim Lutero propôs suas teses ele era um católico, alguém de dentro, que pretendia que houvesse mudanças. Nada mais luterano, portanto, do que manter o espírito propositivo, questionador e reformador que caracterizou aquele vulto do século 16.

Uma das máximas da Reforma é Igreja Reformada Sempre Se Reformando (ecclesia reformatasemper reformanda). Os desafios deste século 21 são abrangentes e requerem uma profunda reflexão por parte da Igreja de Jesus. Enquanto Martim Lutero questionava as indulgências, temos, hoje, várias questões envolvendo a missão, o discernimento entre a igreja institucional e a igreja orgânica, o ministério pastoral, o abuso de autoridade e muitos outros temas que requerem atenção e reflexão. As 95 Teses Para Hoje são, portanto, frases que buscam estimular o debate na igreja, de modo a contribuir para uma comunidade de fé mais consciente de sua vocação e da necessidade de voltar sempre às Escrituras.


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