Membros ausentes e suas consequências na missão da Igreja

O corpo não é feito de um só membro, mas de muitos… se um membro sofre, todos sofrem com ele” (1 Coríntios 12.14,26)

Vivemos dias em que muitos “pertencem” à igreja, mas não participam da sua missão. Estão registrados nos papéis, mas não presentes nas orações, nos cultos, nas ações, na comunhão. São como membros do corpo que estão adormecidos, e sua ausência tem deixado marcas profundas e silenciosas.

A pergunta que ecoa é: a sua ausência tem feito falta?
Não se trata de cobrança moralista, mas de uma chamada ao despertar espiritual e comunitário.

1. Quando um membro se ausenta, o corpo sente

Na lógica do apóstolo Paulo, a igreja é um corpo vivo e interdependente. Nenhum membro é autônomo. A ausência de um irmão ou irmã – seja na intercessão, no serviço, no louvor, no cuidado com os necessitados, no ensino, no testemunho – causa desequilíbrio, fragilidade e cansaço para os que permanecem servindo.

2. A ausência fragiliza a missão

A missão da igreja não é de alguns poucos voluntários, mas do corpo todo, cada qual com seu dom. Quando alguém se ausenta, uma parte da missão também fica comprometida. A visita que não foi feita, o estudo bíblico que não teve quem liderasse, a criança que não foi ensinada, o jovem que não foi acolhido, o necessitado que não foi amparado – tudo isso revela feridas invisíveis da ausência.

3. A ausência silenciosa fere a comunhão

A ausência frequente, sem diálogo, sem explicação, fere os laços do amor fraterno. A comunhão se esfria, o sentimento de pertença se enfraquece, e cria-se a ideia de que estar na igreja é opcional, algo “quando der”. Mas a igreja é família espiritual, e nela somos chamados a viver com intencionalidade, verdade e compromisso. Bonhoeffer dizia: “Cristo vive na comunhão dos irmãos”.

4. Nem toda ausência é falta de compromisso – mas ausência injustificada traz prejuízo

É verdade: nem toda ausência é sinal de descompromisso.
Existem afastamentos legítimos – por saúde, cansaço emocional, trabalho, viagens, luto ou situações familiares delicadas. E, nesses casos, a igreja é chamada a acolher e cuidar.
Contudo, quando a ausência é injustificada, recorrente e marcada pela indiferença, os efeitos são profundos e dolorosos:
– Torna o evangelismo e o ensino mais difíceis, pois os recém-convertidos, as crianças e os jovens observam e se confundem com a incoerência entre o que se prega e o que se vive.
– Desencoraja os líderes, que se veem sobrecarregados e desanimados diante do desinteresse coletivo.
– Desanima os irmãos presentes, que sustentam com fidelidade o serviço e a comunhão, mas se sentem sozinhos ou abandonados por quem deveria caminhar junto.
– Rompe laços de confiança, pois quem se ausenta sem se explicar enfraquece a unidade, deixando de partilhar tanto as alegrias quanto os fardos.

5. Lutero e Bonhoeffer: Igreja não é palco, é comunidade

Martim Lutero via a igreja como a “comunhão dos santos”, onde cada cristão exerce sua vocação na edificação do todo. Já Dietrich Bonhoeffer lembrava que não podemos querer Cristo sem a igreja, e que ser cristão isolado é impossível. Ser igreja é carregar a cruz do outro, ouvir, interceder, trabalhar juntos, perdoar, repartir o pão e a vida.

Conclusão: Sua presença é missão

Se você é membro do corpo de Cristo, sua presença importa!
Não há substituto para você. Deus te deu dons que não são só seus – são para edificação de todos.
Por isso, volte. Recomece. Reconecte-se.

Seja um membro presente e ativo, participativo. Sua presença fortalece a comunhão, anima os irmãos, glorifica a Deus e faz a missão acontecer.

Na igreja, não há espaço vazio que não cause dor. Pense nisso!


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