Como Dietrich Bonhoeffer Ajudou Richard Foster a Não Abandonar a Fé

“A superficialidade é a maldição do nosso tempo”

– Richard Foster


Richard Foster, conhecido mundialmente pelo clássico Celebração da Disciplina, nem sempre teve a vida espiritual vibrante que muitos imaginam. Houve um momento, no início de seu ministério pastoral, em que ele esteve à beira de abandonar a fé cristã.

Servindo numa pequena igreja no sul da Califórnia, ele se sentia um fracasso. Pregava sermões consistentes e bíblicos, mas parecia que nada mudava na vida da congregação – e nem na dele. “Num domingo qualquer, poucos conseguiam lembrar-se do que eu pregara no domingo anterior. Pior ainda, nem eu me lembrava”, relata.

Era a frustração de viver uma fé superficial em meio a um ativismo religioso intenso, mas vazio.

1. O Encontro com Bonhoeffer
Foi então que Foster voltou-se para os “mestres devocionais” – autores que, ao longo da história da Igreja, viveram com intensidade a sua fé. Entre eles, Dietrich Bonhoeffer se destacou. Pastor e teólogo que enfrentou o nazismo e morreu por sua fidelidade a Cristo, Bonhoeffer falava com autoridade espiritual e coragem profética.
Foster descreve que, como um náufrago que se agarra a uma tábua de salvação, ele se apegou ao livro Discipulado.

Nas próprias palavras de Foster, “[…] na minha ingenuidade juvenil, esperava que os cristãos obedecessem à vocação ao discipulado. No meu idealismo de jovem, não via ninguém que trilhasse esse caminho. […] no meio de minha perplexidade, descobri os escritos de Dietrich Bonhoeffer. Agarrei-me a eles como um náufrago se agarra a um salva-vidas”.

Uma frase, em especial, marcou profundamente sua vida:

“Quando Cristo chama alguém, ele o manda vir para morrer”

– Dietrich Bonhoeffer


Bonhoeffer denunciava a graça barata – aquela que não exige discipulado, não carrega a cruz e não segue a Cristo vivo. Para Foster, isso foi um choque e um alívio ao mesmo tempo: um chamado à radicalidade do Evangelho, mas também um convite a uma fé mais real e menos moralista.

Quem foi Dietrich Bonhoeffer?

2. As Pequenas Coisas e a Vida Real
Uma das grandes lições que Foster recebeu de Bonhoeffer foi sobre a importância dos pequenos atos de amor e serviço.
Certa vez, irritado com a “perda de tempo” em meio a uma rotina lotada, Foster leu estas palavras de Vida em Comunhão:

“O segundo serviço que a gente deve fazer para os outros numa comunidade cristã consiste na ajuda concreta. Isso significa, inicialmente, a simples assistência em tarefas externas de menor importância. […] Ninguém é bom demais para os mínimos serviços de ajuda”

Essa lição mudou sua forma de ver a vida. O que parecia interrupção ou atraso era, na verdade, uma oportunidade para viver o discipulado no dia a dia.

3. Gratidão Dentro da Prisão
Bonhoeffer também ensinou Foster sobre gratidão. Mesmo preso, Bonhoeffer escrevia:
“A gente sente gratidão por essas coisinhas – as amizades -, e isso também é um ganho.”

Foster relata que “Bonhoeffer conscientizou-me de que o discipulado, embora possa ser ‘caro’, não precisa ser sério demais ou pesado. Discipulado, afinal, significa crescer em graça, paz e gratidão”.

Foster, que pastoreava uma igreja marcada por conflitos e tensões, aprendeu a agradecer não só pelas grandes vitórias, mas também pelas coisas simples e até triviais da vida – um antídoto poderoso contra o desânimo e o ressentimento.

4. A importância da Literatura Clássica no Mundo Moderno
A história de Foster mostra que a leitura dos grandes mestres cristãos não é luxo intelectual; é alimento para a alma. Eles nos ajudam a administrar nossa agenda moderna não nos ensinando a “fazer mais”, mas a viver melhor.

Na pressa e no excesso de compromissos, facilmente caímos na superficialidade que Foster denunciou. Mas, quando paramos para beber da sabedoria de quem viveu antes de nós, somos lembrados de que a vida cristã é um chamado constante à presença de Cristo – não importa quão cheio esteja nosso dia.

Ler os clássicos não é perder tempo; é redescobrir o que realmente importa. C.S. Lewis em seu livro Um Experimento em Crítica Literária defende que os clássicos, ou “livros antigos”, são essenciais porque foram testados pelo tempo, oferecem perspectivas únicas e nos conectam com vozes do passado, desafiando o “esnobismo cronológico” que valoriza excessivamente o novo em detrimento do duradouro.

Conclusão
Se Bonhoeffer ajudou Richard Foster a não abandonar a fé, ele pode ajudar você também. Faça uma pausa na sua rotina, pegue um livro que tenha atravessado séculos e permita que ele fale ao seu coração. Talvez, assim como Foster, você descubra que o caminho da profundidade começa justamente no meio da correria.

Referência e leitura complementar
Dietrich Bonhoeffer. Discipulado. Editora Mundo Cristão.
Dietrich Bonhoeffer. Vida em Comunhão. Editora Mundo Cristão.
Richard Foster. Celebração da Disciplina. Editora Vida.
Philip Yancey; James Calvin Schaap. Muito Mais que Palavras. Editora Vida.
C. S. Lewis. Um Experimento em Crítica Literária. Thomas Nelson Brasil.


A Celebração da Disciplina de Richard Foster revela o segredo que os grandes mestres espirituais da história conheciam: disciplinas espirituais não são regras sufocantes, mas práticas libertadoras que abrem as comportas da graça divina em sua vida. Foster desmistifica a oração, o jejum, a meditação, a simplicidade e outras disciplinas clássicas, transformando-as de conceitos intimidadores em caminhos práticos e acessíveis para uma intimidade real com Deus.

Descubra em Celebração da Disciplina o caminho concreto para viver o discipulado radical que Bonhoeffer sonhou:

  • 12 práticas espirituais que unem contemplação e ação;
  • Antídoto contra a fé superficial em tempos de crise;
  • Liberdade genuína através da submissão a Cristo.

Não basta morrer por Cristo; é preciso viver por Ele todos os dias, nas pequenas disciplinas.


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