Rebatismo: um obstáculo à unidade da Igreja

O tema do batismo acompanha a história da Igreja desde os primeiros séculos. Mas, em algumas tradições cristãs, ainda persiste a prática do rebatismo – quando uma pessoa já batizada em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo recebe novamente o sacramento ao ingressar em outra comunidade.
À primeira vista, pode parecer apenas uma escolha pessoal ou uma questão litúrgica. Porém, ao olhar com mais profundidade, o rebatismo carrega consigo uma mensagem eclesiológica e teológica de grande peso.

1. O que o rebatismo comunica
Quando uma igreja ou pessoa insiste no rebatismo, mesmo que inconscientemente, a prática transmite algumas mensagens muito claras:
• Que o batismo anterior não foi válido.
• Que a comunidade onde o batismo ocorreu não é verdadeira Igreja.
• Que a Palavra de Deus ali pregada não teve eficácia.
• Que a comunhão cristã com aquela igreja está rompida.
Na prática, trata-se de um gesto de exclusivismo, uma declaração de que somente aquela comunidade ou denominação específica seria a verdadeira Igreja de Cristo.

2. Rebatismo e a negação da catolicidade da Igreja
Os credos históricos, como o Credo Niceno-Constantinopolitano, afirmam que a Igreja é “Una, Santa, Católica e Apostólica.”
O termo “católica”, nesse contexto, significa universalidade: a verdadeira Igreja de Cristo está presente onde a Palavra é pregada e os sacramentos são administrados conforme o Evangelho.
Negar o batismo realizado em outra denominação cristã (desde que feito com água e invocação da Trindade) é, na prática, negar a catolicidade da Igreja e reduzir o Corpo de Cristo a um círculo sectário.

3. Uma prática contrária ao espírito do Evangelho
Jesus orou ao Pai:
Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim e eu em ti; que também eles estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste” (João 17.21).
O rebatismo contradiz diretamente esse desejo de Cristo, pois divide onde deveria haver comunhão. Ele cria barreiras entre irmãos e irmãs que professam a mesma fé, mas estão em diferentes tradições denominacionais.

4. A responsabilidade pastoral e pessoal
A responsabilidade diante desse tema é tanto da comunidade que rebatiza quanto da pessoa que aceita ser rebatizada. Em ambos os casos, há um enfraquecimento da comunhão cristã.
Por isso, é fundamental:
• Educação teológica que valorize o batismo como dom de Deus, não como propriedade de uma denominação.
• Liderança pastoral comprometida com a unidade, que reconheça a validade do batismo em outras tradições cristãs.
• Coragem espiritual do cristão para afirmar: “Eu já fui batizado. Deus já falou sua Palavra sobre mim, e essa Palavra permanece.”

Conclusão: um só batismo, uma só fé
O rebatismo é, em última análise:
• Um ato contrário à doutrina bíblica de “um só batismo” (Efésios 4.5).
• Um erro pastoral, pois abala a confiança no batismo como obra de Deus.
• Um gesto eclesiológico sectário, ao deslegitimar irmãos e irmãs em Cristo.
• Uma ameaça à unidade da Igreja, ao fragmentar o Corpo de Cristo em torno de tradições humanas.
O chamado do Evangelho é viver o batismo recebido, e não repeti-lo. Pois não nos tornamos filhos de Deus por pertencer a esta ou àquela comunidade, mas porque fomos lavados e regenerados pela graça do Senhor.
Se você foi batizado em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, com água e na fé da promessa de Cristo, você já foi batizado. Não precisa de novo batismo. A tarefa, agora, é viver diariamente esse batismo, confiando na fidelidade de Deus e fortalecendo a unidade da Igreja de Cristo.


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