Redes Sociais: entre liberdade e responsabilidade

As redes sociais não são apenas plataformas de engajamento, mas ferramentas essenciais para a ampliação da voz coletiva em uma era digital. Neste artigo, defendo a perspectiva de que a liberdade de expressão nas redes sociais é fundamental para fortalecer a democracia, permitindo que cidadãos comuns acessem, debatam e influenciam o poder público de forma inédita. Restringir essa liberdade sob pretextos de regulação pode sufocar o potencial democrático das plataformas. Antecipando contra-argumentos comuns, como o risco de discursos de ódio ou desinformação, lembro que o Brasil já possui legislação específica para crimes como injúria, difamação e calúnia, tornando desnecessária uma intervenção ampla que ameace a essência da expressão livre. Lembremos que a liberdade ecoa o mandamento bíblico de proclamar a verdade (Mateus 28.19), desde que guiada pela responsabilidade de não usar a língua para destruição (Tiago 3.5-6), promovendo um diálogo que reflita o amor ao próximo.

Voz e Participação

As redes sociais transformaram a democracia brasileira ao democratizar o acesso à informação e à mobilização política, permitindo que vozes marginalizadas se façam ouvir sem depender de intermediários tradicionais. Uma pesquisa do Pew Research Center de 2024 revelou que 70% dos brasileiros consideram as redes sociais positivas para a democracia, destacando seu papel em conectar cidadãos e fomentar debates inclusivos.

No Brasil, onde o acesso à internet atinge mais de 80% da população. Plataformas como X (antigo Twitter) e Instagram facilitam a interação bidirecional: cidadãos questionam autoridades, viralizam pautas sociais e organizam movimentos, como visto nas manifestações de 2013 e nas campanhas eleitorais recentes. Essa dinâmica bidirecional eleva a participação, com 45% da população admitindo que as redes influenciam seu voto, especialmente entre jovens, segundo o DataSenado em 2019 – um impacto que persiste e se intensifica.

Além disso, as redes sociais atuam como contrapeso ao poder estabelecido, expondo corrupção e incentivando transparência. Em um país com histórico de desigualdades, elas auxiliam minorias étnicas, religiosas e regionais a compartilhar narrativas autênticas, ampliando o pluralismo democrático. Do ponto de vista evangélico, isso alinha-se à visão bíblica de uma sociedade onde a verdade prevalece (Efésios 4.25), permitindo que cristãos evangelizem e defendam valores morais em espaços abertos, sem censura prévia. Sem essa liberdade, o potencial para uma democracia mais vibrante e representativa seria perdido, reduzindo o Brasil a um eco de vozes elitizadas.

Liberdade de Expressão: Restrições Excessivas São Desnecessárias

A liberdade de expressão nas redes sociais é garantida pela Constituição Federal de 1988, especificamente nos incisos IV e IX do artigo 5º, que asseguram o direito de manifestar pensamentos sem censura prévia. Argumentos favoráveis a essa liberdade enfatizam que ela não é absoluta, mas deve ser protegida para evitar abusos estatais. Uma pesquisa da Nexus e Inteligência de Dados em fevereiro de 2025 mostrou que 65% dos brasileiros defendem que a análise de conteúdos seja feita pelos usuários para preservar a liberdade de expressão, rejeitando intervenções governamentais que possam silenciar dissidentes. Da mesma forma, 60% apoiam regulação apenas se não afetar essa liberdade, indicando uma preferência por moderação autorreguladas pelas plataformas.

No contexto brasileiro, especialistas alertam que politizar a liberdade de expressão representa um perigo, como destacado em análises de junho de 2025, onde ataques à imprensa e ironia jornalística são vistos como ameaças à democracia [1]. Embora atribuição do legislativo, no Brasil, o Supremo Tribunal Federal (STF) tem debatido esses limites, reconhecendo que a liberdade não serve de escudo para discursos de ódio, mas enfatizando que redes sociais não devem ser submetidas a “lavagem cerebral” regulatória que viole direitos fundamentais. Na tradição protestante, essa liberdade reflete a Reforma, onde Lutero, já há 500 anos, defendeu o direito de questionar autoridades para buscar a verdade bíblica, promovendo um ambiente onde o Evangelho possa ser compartilhado sem medo.

A Legislação Existente Já Protege Contra Abusos

Críticos da liberdade irrestrita nas redes sociais argumentam que elas facilitam discursos de ódio, fake news e violência, ameaçando a coesão social e a democracia. No entanto, esses riscos já são mitigados pela legislação brasileira específica para crimes contra a honra: a calúnia (artigo 138 do Código Penal), que pune a imputação falsa de crime; a difamação (artigo 139), que protege a reputação contra fatos ofensivos; e a injúria (artigo 140), que combate ofensas à dignidade. Desde a Lei 13.964/2019, esses crimes têm pena triplicada quando cometidos em redes sociais, garantindo punição sem necessidade de regulação ampla que censure preventivamente.

Por exemplo, publicações ofensivas em redes configuram ato ilícito indenizável, como julgado pelo TJDFT em 2024, sem requerer novas leis que possam inibir a expressão legítima. Antecipando o argumento de que redes promovem polarização, dados mostram que o Brasil vê menos riscos (71% consideram benéficas), com interações positivas superando negativas quando há educação digital. Enquanto o pecado da falsidade deve ser combatido (Provérbios 12.22), a solução não é censura, mas discernimento espiritual, evitando que o Estado se torne ídolo controlador (Êxodo 20.3).

Democracia Digital: liberdade com responsabilidade

As redes sociais, quando livres, ampliam a democracia ao capacitar cidadãos e fomentar debates inclusivos, como comprovado por pesquisas que mostram seu impacto positivo no Brasil. Restrições excessivas, sob pretexto de proteção, ignoram a legislação existente contra abusos e ameaçam o cerne da expressão livre. Como cristãos, devemos defender essa liberdade para cumprir o Grande Mandamento, usando plataformas para glorificar Deus e promover justiça (Miqueias 6.8), sempre com sabedoria para evitar o mal.

Reflita: em um mundo conectado, sua voz digital reflete valores eternos? Use-a para edificar, não destruir.


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