E se fosse possível provar cientificamente a vida após a morte? O filme The Discovery (2017) explora esse dilema com tons de tragédia e esperança, levantando questões que tocam o coração humano: o que significa morrer, e o que significa viver sabendo que a morte não é o fim? A partir da reflexão bíblica e teológica – especialmente com N. T. Wright e Martim Lutero – descobrimos que a ressurreição não é escapismo, mas a promessa de que Deus restaurará todas as coisas e já nos chama a viver com esperança e propósito no presente.
Introdução
O cinema, muitas vezes, funciona como um espelho cultural que nos força a confrontar grandes questões existenciais. O filme The Discovery (2017), dirigido por Charlie McDowell, é um exemplo contemporâneo desse tipo de narrativa. A trama gira em torno de uma provocativa hipótese científica: a existência da vida após a morte. A partir desse anúncio, milhões de pessoas optam por encurtar suas vidas, acreditando em um destino melhor. Em meio a esse cenário de desespero e dúvida, acompanhamos a jornada de um jovem que retorna à casa do pai, carregando culpas e um passado marcado pela perda, e que encontra na relação com uma mulher igualmente ferida a oportunidade de confrontar esperança e dúvida.
A história do filme levanta questões fundamentais: o que significa realmente a vida após a morte? Como devemos compreender a morte à luz da fé cristã? E, principalmente, como a esperança da ressurreição muda a maneira como vivemos no presente?
A Morte na Perspectiva Cristã
No cristianismo, a morte não é o fim da existência, mas um limiar para algo maior. N. T. Wright, em sua obra Surpreendido pela Esperança, argumenta que a fé cristã não promete apenas uma “sobrevivência espiritual” após a morte, mas a ressurreição do corpo e a renovação de toda a criação. Para Wright, a morte de Jesus e Sua ressurreição inauguram um novo tipo de vida – uma vida transformada, definitiva e plena – que não se limita ao espírito desligado do corpo, mas envolve a restauração completa do ser humano.
É importante notar que Wright alerta contra a visão escapista que muitos cristãos adotam: pensar na ressurreição apenas como uma saída deste mundo, uma fuga da morte e do sofrimento. Para ele, a ressurreição não é escapismo, mas a garantia de que Deus vai restaurar todas as coisas, incluindo nossas vidas aqui e agora.
A Visão Prática de Lutero
Martinho Lutero expressa de maneira poética o mesmo princípio quando diz:
“Se eu soubesse que Jesus voltaria amanhã, hoje plantaria um pé de maçã.”
Essa frase nos ajuda a compreender sua visão teológica: não se trata de esperar passivamente para ir ao céu, mas de viver de forma que o céu venha até nós, por meio da volta de Cristo e da restauração de todas as coisas. A ressurreição nos convida a agir, a cuidar, a plantar vida e amor no mundo presente, mesmo diante da morte e da dor.
Ressurreição e Sentido de Vida
Um dos aspectos mais tocantes de The Discovery é o dilema do jovem protagonista: dividido entre a promessa de algo além da vida e a necessidade de encontrar sentido no presente, ele encarna a tensão existencial de nossa sociedade contemporânea. A esperança cristã da ressurreição transforma a vida atual. Saber que existe uma vida eterna não nos desliga do presente; pelo contrário, orienta nossas escolhas e ações aqui e agora, motivando-nos a viver com amor, justiça e integridade, enquanto aguardamos a plenitude do Reino de Deus.
Vida Eterna e Comunidade
Além da dimensão individual, Wright enfatiza que a vida eterna tem uma dimensão comunitária e cósmica. Não se trata apenas de “ir para o céu”, mas de participar da renovação de todas as coisas, incluindo nossos relacionamentos, nossa comunidade e até a criação. No filme, a conexão entre os personagens que compartilham dores e cicatrizes mostra que o enfrentamento da morte e da perda se torna significativo quando existe comunhão, cuidado e esperança compartilhada.
A Esperança no Mundo Vindouro e o Engajamento no Presente
C. S. Lewis, em diversas de suas obras, lembra que a esperança cristã na vida eterna não nos afasta do presente, mas nos envia de volta a ele com mais coragem e propósito. Ele escreve:
“Se você ler a história, descobrirá que os cristãos que mais fizeram pelo mundo presente foram precisamente aqueles que mais pensaram no mundo vindouro.”
Para Lewis, a esperança da vida futura não é alienação ou fuga, mas combustível para transformar a realidade. A certeza da ressurreição e do Reino vindouro gera uma visão mais ampla da vida, que impede a estagnação e a apatia. Ao contrário do escapismo, criticado por N. T. Wright, essa esperança dá ao cristão motivação para plantar justiça, bondade e beleza no aqui e agora, sabendo que tais sementes florescerão na nova criação.
Esse pensamento converge com a visão de Lutero, que ao afirmar que “se soubesse que Jesus voltaria amanhã, hoje plantaria um pé de maçã”, nos ensina que a expectativa da volta de Cristo deve nos lançar ao engajamento no mundo presente. Não vivemos para escapar da realidade, mas para participar ativamente daquilo que Deus já está restaurando.
Assim, tanto Wright quanto Lewis e Lutero concordam: pensar no mundo vindouro é justamente o que dá sentido ao compromisso cristão com o mundo presente. A esperança da ressurreição não nos desliga da história, mas nos enraíza nela com uma perspectiva eterna.
Esperança que Move o Presente
The Discovery nos desafia a confrontar o mistério da morte e da vida após a morte. A perspectiva cristã, especialmente na teologia de N. T. Wright, na visão prática de Lutero e no olhar cultural de C. S. Lewis, nos lembra que a ressurreição não é escapismo, mas a garantia de que Deus está restaurando todas as coisas. A esperança da vida eterna transforma nosso presente, dando sentido à dor, à perda e à vida cotidiana.
Ao invés de buscar provas científicas para a vida após a morte, somos convidados a viver a vida agora à luz da promessa da ressurreição – uma vida marcada pela fé, pela esperança e pelo amor.
Ore comigo
Senhor da vida,
Obrigado porque em Cristo Jesus a morte não tem a última palavra,
e porque a ressurreição nos dá esperança não apenas para o futuro,
mas também para o presente.
Livra-nos do engano de pensar, como alguns acreditam,
que se Jesus está voltando, então já não precisamos trabalhar,
cuidar do mundo ou servir ao próximo.
Pelo contrário, dá-nos a alegria de viver cada dia
como testemunhas da nova criação,
plantando árvores, cultivando relacionamentos,
fazendo justiça e praticando o amor,
sabendo que tudo isso encontra sentido no Teu Reino vindouro.
Que a esperança da vida eterna nos faça
mais comprometidos com a vida aqui e agora.
Até que Cristo volte e todas as coisas sejam restauradas,
ajuda-nos a permanecer fiéis, perseverantes e esperançosos.
Em nome de Jesus,
Amém.









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