Crianças no Culto: A Formação Litúrgica da Próxima Geração

O Desafio Contemporâneo

Em um tempo em que muitas igrejas terceirizam a formação espiritual das crianças a programas paralelos, esquecendo o poder formativo do culto comunitário, somos desafiados a redescobrir a beleza da liturgia como escola do coração.
Voddie Baucham Jr. nos lembra que a educação cristã começa no lar, com pais ensinando seus filhos a amar e temer ao Senhor. James K. A. Smith mostra que o culto é um espaço pedagógico, onde somos moldados por hábitos e práticas que formam nossos amores.
Unindo essas vozes, percebemos que igreja e família não são rivais, mas parceiras no discipulado da próxima geração – e que o culto não é opcional, mas essencial.

Voddie Baucham Jr.: O Culto Pertence à Assembleia Inteira

O pastor e teólogo Voddie Baucham Jr., conhecido por sua ênfase na família e no discipulado, defende que as crianças devem estar presentes no culto público da igreja, juntamente com os adultos, e não segregadas em classes paralelas.
Segundo Baucham, separar as crianças do culto contradiz o padrão bíblico e histórico da adoração congregacional. Ele argumenta que a responsabilidade primária da formação espiritual das crianças recai sobre os pais, e não sobre programas substitutivos.
Em Família Guiadas Pela Fé (Editora Monergismo, 2017), Baucham alerta que berçários e atividades infantis, embora bem-intencionados, podem se tornar atalhos prejudiciais, retirando dos pais a responsabilidade de instruir e disciplinar seus filhos na adoração.
Para ele, o culto é uma assembleia multigeracional, onde toda a comunidade – homens, mulheres e crianças – se reúne para ouvir e responder à Palavra de Deus. Afastar as crianças seria privá-las da experiência formativa da adoração e distorcer a natureza da igreja como corpo unido diante de Deus.

James K. A. Smith: A Pedagogia Litúrgica da Adoração

Em Você é Aquilo que Ama (Vida Nova, 2017), James K. A. Smith argumenta que toda prática pedagógica reflete uma visão de ser humano. Quando a igreja decide retirar as crianças do culto, está ensinando algo sobre quem pertence à adoração.
Smith enfatiza que a adoração molda o coração. Ela não é apenas informativa, mas formativa. Ao participar semanalmente das liturgias — ouvindo leituras bíblicas, cantando, orando, confessando e recebendo a bênção —, as crianças são moldadas pelo hábito e pela repetição para amar a Deus e reconhecer seu lugar no corpo de Cristo.
A ausência das crianças no culto comunica uma pedagogia equivocada: ensina que elas não são parte da comunidade adoradora e que o culto é apenas racional, e não uma prática que forma o coração. O resultado são adultos que não se sentem pertencentes à assembleia, pois não foram discipulados liturgicamente desde cedo.

Fundamento Bíblico e Histórico

A Bíblia apresenta um padrão claro de inclusão das crianças nas assembleias solenes do povo de Deus:

  • Antigo Testamento: crianças presentes nas reuniões de adoração (Dt 31.12–13; Ne 8.2–3).
  • Novo Testamento: cartas apostólicas lidas à congregação inteira, incluindo instruções diretas às crianças (Ef 6.1; Cl 3.20).
    A igreja primitiva e a tradição reformada também mantiveram essa visão de culto congregacional inclusivo, entendendo que o culto é formativo e que as crianças aprendem adorando.

Uma Pedagogia da Presença

A presença das crianças no culto não é questão de preferência pedagógica, mas de fidelidade bíblica e teológica. O culto dominical é a escola do coração, onde a comunidade inteira é moldada pela Palavra e pelos sacramentos.
Privar as crianças dessa experiência é formar uma geração liturgicamente órfã, desconectada da linguagem e do ritmo da adoração cristã.
Smith diria que, ao afastar as crianças do culto, ensinamos um amor errado, pois formamos desejos e hábitos que não convergem para Deus, mas para distrações e entretenimento.

Caminhos Práticos: Cooperação entre Igreja e Família

Em vez de programas alternativos, a igreja e os pais devem cooperar para ensinar as crianças a participar do culto:


a) Antes do culto

Treine líderes e membros para acolher as crianças como parte da assembleia, e não como interrupções.

Prepare as crianças: explique o que vai acontecer, o significado dos cânticos e orações.

Leia e ore com elas durante a semana, criando familiaridade com a liturgia.

b) Durante o culto

Inclua as crianças em cada parte da adoração: leitura bíblica, cânticos, oração, ofertas.

Acolha o barulho e a inquietação com graça; o aprendizado vem com o tempo.

c) Depois do culto

Converse sobre a mensagem, reforçando verdades e orações.

Mostre a relevância do culto para a vida diária.

d) Papel da igreja

Ofereça recursos aos pais para discipular seus filhos no contexto do culto.

Por Uma Formação Encarnada

A visão de Voddie Baucham Jr. e James K. A. Smith converge na defesa de uma formação espiritual encarnada na prática litúrgica. O culto pertence à assembleia inteira – e isso inclui as crianças.
Separá-las é reflexo de uma teologia empobrecida da adoração e de uma pedagogia centrada no entretenimento, não na formação. Integrar as crianças na adoração é um ato de fé e obediência, um investimento no futuro da igreja e uma demonstração de que cremos que o Espírito Santo age também nos pequenos corações.
Culto não é distração – é formação. E formação começa desde o berço.


❤️ Você é aquilo que ama – mas será que ama o que pensa que ama?

Este livro vai mexer com sua mente — e, mais ainda, com seu coração.

Em Você é Aquilo que Ama, James K. A. Smith revela uma verdade profunda e transformadora: seus hábitos moldam seu coração muito mais do que suas intenções. Enquanto você acha que está apenas vivendo sua rotina, o mundo está formando seus amores – e, sem perceber, você pode estar adorando deuses rivais.

📖 Smith mostra como a cultura nos forma e como as práticas cristãs podem reorientar nosso coração para o verdadeiro Deus. Com uma escrita envolvente e exemplos da arte, da música e da vida cotidiana, ele transforma a teologia em um mapa para o discipulado real, onde adoração e imaginação moldam tudo o que somos.

👉 Adquira agora Você é Aquilo que Ama e aprenda a direcionar seus amores para o Deus que o criou.


Descubra mais sobre Teologia Missional

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe um comentário

Um espaço dedicado a explorar a igreja e a teologia a partir de uma perspectiva missional. Aqui, buscamos refletir sobre a missão de Deus no mundo, como a igreja pode viver de forma fiel ao chamado cristão e como podemos aplicar os ensinamentos bíblicos de maneira prática e transformadora em nossa sociedade.