Se Deus não existe, o que torna algo certo ou errado? Descubra por que a moralidade precisa de um fundamento maior do que nós mesmos.
Quando o certo parece relativo
Talvez você já tenha vivido isso: está numa conversa com colegas de trabalho ou em um grupo da igreja, e alguém diz algo como “cada um tem sua verdade” ou “o importante é não julgar”. Em tempos de redes sociais e opiniões polarizadas, parece cada vez mais difícil falar em certo e errado sem soar autoritário ou desatualizado. Afinal, quem decide o que é bom ou mau? A cultura? A maioria? A nossa consciência?
Essas perguntas não são apenas filosóficas. Elas aparecem quando um cristão precisa decidir se vai ou não declarar algo irregular no imposto de renda, quando uma mãe se pergunta se deve confrontar o filho adolescente sobre o que ele anda assistindo, ou quando um jovem sente que está sendo pressionado a relativizar seus valores para “caber” no grupo. Em situações assim, a dúvida não é teórica: é prática, concreta, e muitas vezes solitária.
Sem Deus, tudo vira opinião?
A Bíblia ensina que Deus é a fonte do bem e que fomos criados à Sua imagem, com uma consciência moral que reflete algo do Seu caráter. Paulo diz que mesmo os que não conhecem a Lei de Deus têm “a exigência da lei escrita em seus corações”
Romanos 2.14-15. Isso explica por que, em quase todas as culturas, há um senso básico de justiça, compaixão e responsabilidade.
Mas e se Deus não existir? O que sustenta esse senso moral? Muitos argumentam que a moralidade pode ser construída com base na razão, na empatia ou no bem-estar coletivo. E há algo de verdadeiro nisso: Deus nos criou com razão e empatia, e viver em comunidade exige acordos morais. O problema é que, sem um fundamento maior, esses acordos mudam com o tempo e com o interesse do grupo. O que hoje é considerado “bem” pode ser descartado amanhã. E quando o mal é praticado em nome de um bem maior – como em regimes totalitários ou mesmo em ambientes religiosos abusivos – quem tem autoridade para dizer que aquilo é errado?
A moralidade aponta para algo (ou Alguém) maior
Nosso desejo por justiça, nossa indignação diante do mal e nossa admiração por atos de bondade não são apenas construções sociais. Eles apontam para algo fora de nós. Como diz Eclesiastes 3.11, Deus “pôs no coração do homem o anseio pela eternidade”. Isso inclui o anseio por um bem que não muda com o tempo, nem com a cultura.
Pense em situações do dia a dia: um irmão da igreja que escolhe perdoar uma ofensa antiga em vez de alimentar o ressentimento; uma funcionária pública que se recusa a participar de um esquema de favorecimento, mesmo sabendo que isso pode prejudicar sua carreira; um casal que decide manter a fidelidade no casamento mesmo em tempos de tentação digital. Essas escolhas não são apenas “boas práticas sociais”. Elas refletem um compromisso com algo maior – com um bem que não depende do que os outros acham, mas do que Deus revelou.
A graça como resposta ao nosso dilema moral
Mas aqui está o ponto central: saber o que é certo não nos torna capazes de vivê-lo. Todos nós, em algum momento, falhamos em fazer o bem que sabemos que deveríamos fazer. Às vezes por fraqueza, às vezes por orgulho, às vezes por medo. E é por isso que a moralidade cristã não pode ser reduzida a um código de conduta. Ela começa com um diagnóstico honesto: somos pecadores. Mas não termina aí. Ela nos conduz à cruz, onde Jesus, o único verdadeiramente justo, assumiu o nosso lugar.
Na cruz, vemos a justiça de Deus sendo satisfeita e a Sua misericórdia sendo oferecida. Em Cristo, encontramos não apenas o padrão do bem, mas também o perdão pelas nossas falhas e o poder para viver de forma diferente. Como diz Efésios 2.8-10, fomos salvos pela graça, mediante a fé – e essa salvação nos conduz a uma vida de boas obras, preparadas por Deus.
Aplicação prática
- Reflexão: Em quais áreas da sua vida você tem tratado o certo e o errado como algo negociável ou conveniente?
- Desafio: Escolha uma situação concreta nesta semana em que você será tentado a relativizar o bem. Ore antes, e aja com integridade, mesmo que isso custe algo.
- Oração :
Senhor, Tu conheces meu coração e minhas limitações. Dá-me discernimento para reconhecer o bem e coragem para vivê-lo. Obrigado porque, em Cristo, há perdão para minhas falhas e poder para recomeçar. Ensina-me a andar em Teus caminhos com humildade e confiança. Amém.
Para continuar caminhando nesse tema

Se esse artigo mexeu com suas perguntas sobre bem, mal e o sentido da fé cristã em uma cultura relativista, um próximo passo precioso é ler Cristianismo Puro e Simples, de C.S. Lewis. Com uma linguagem acessível e, ao mesmo tempo, intelectualmente honesta, Lewis mostra como nosso senso de certo e errado não é um detalhe cultural, mas um sinal de que fomos feitos para Deus. Ele organiza muitas das intuições que carregamos no coração e as conduz até o centro do evangelho.
No Capítulo 10 do Livro IV, Lewis captura isso de forma brilhante ao escrever:
“Deus se tornou homem para transformar as criaturas em filhos, ou seja, não simplesmente para produzir homens melhores, mas sim uma nova espécie de ser humano.”
A moralidade não é só um código de conduta, mas uma resposta à graça que nos recria em Cristo.









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