Quando Cristo Destrói Ídolos Políticos: A Cristologia Transformadora de Bonhoeffer

Uma manhã de 1933, uma transmissão de rádio foi interrompida. A mensagem era simples demais para ser tolerada: nenhum líder político pode ocupar o lugar que pertence somente a Deus.

O jovem teólogo Dietrich Bonhoeffer estava no ar, alertando a Alemanha sobre o perigo de transformar Hitler em figura salvadora. Antes que concluísse sua palestra sobre “O Führer e o indivíduo”, os técnicos cortaram a transmissão. Aquele gesto de resistência intelectual não nasceu de filiação partidária, nem de simpatia ideológica. Nasceu de uma convicção teológica enraizada: a soberania absoluta de Jesus Cristo sobre toda a realidade – inclusive, e especialmente, sobre a esfera política.

Hoje, quando cristãos brasileiros são tentados a absolutizar projetos políticos, quando líderes são transformados em salvadores messiânicos, quando pessoas concretas são sacrificadas em nome de ideais abstratos, a cristologia de Bonhoeffer oferece não apenas crítica, mas libertação. Porque a questão permanece urgente: o que acontece quando confundimos o Reino de Deus com programas partidários?

A Genialidade Incômoda de Bonhoeffer

A razão pela qual Bonhoeffer é tão difícil de classificar em nossos esquemas ideológicos contemporâneos está precisamente aqui: ele não enfrentou o totalitarismo a partir de princípios humanistas genéricos, de valores democráticos abstratos ou de ideais iluministas de liberdade individual. Todos esses elementos, importantes em si mesmos, revelaram-se insuficientes diante de um regime que soube manipulá-los, relativizá-los ou simplesmente ignorá-los.

Bonhoeffer partiu de algo ao mesmo tempo mais concreto e mais radical: a realidade histórica de Jesus Cristo – o Deus que se fez carne, habitou entre nós, sofreu sob o poder de Pôncio Pilatos, morreu e ressuscitou. Não uma ideia sobre Deus, mas Deus mesmo, presente na história.

Essa distinção é crucial. As ideologias políticas do século XX operavam, em última análise, com categorias abstratas: Raça, Classe, Mercado, Nação, Progresso, Espírito do Povo. Mesmo quando orientadas por intenções nobres, essas categorias tendiam a transformar-se em instâncias quase absolutas diante das quais pessoas concretas se tornavam descartáveis. O nacional-socialismo levou essa lógica a um extremo trágico: milhões de vidas foram sacrificadas em nome de construções ideológicas de “comunidade nacional” e “pureza racial”.

Contra esse movimento de abstração e desumanização, Bonhoeffer opôs a cristologia da encarnação. O Deus cristão não é uma ideia, um princípio moral abstrato, um ideal regulativo ou uma força impessoal. É uma pessoa histórica: Jesus de Nazaré, nascido sob César Augusto, executado sob Pôncio Pilatos. A fé cristã não é adesão a um sistema filosófico, mas encontro com essa pessoa.

O Antídoto Intelectual ao Totalitarismo

Já em suas primeiras obras acadêmicas, especialmente em Akt und Sein (1930), sua tese de habilitação escrita aos 24 anos, Bonhoeffer estabeleceu os fundamentos teológicos que funcionariam como antídoto intelectual e espiritual ao totalitarismo [1]. Não se tratava de uma teoria política enxertada posteriormente sobre uma base teológica neutra, mas de uma visão teológica da realidade que, por sua própria natureza, tornava impossível a acomodação ao nazismo.

O contexto intelectual era decisivo. Bonhoeffer escrevia em um ambiente marcado por duas grandes tendências. De um lado, o liberalismo teológico de Adolf von Harnack, seu professor em Berlim, que tendia a reduzir o cristianismo a princípios éticos universais, relativizando as particularidades dogmáticas e históricas da fé. De outro, o existencialismo filosófico, especialmente na recepção de Heidegger, que valorizava a experiência subjetiva e a decisão individual, muitas vezes à custa de qualquer referência objetiva à revelação de Deus.

Bonhoeffer percebeu que, apesar das diferenças, ambas as tendências compartilhavam uma vulnerabilidade decisiva: colocavam o ser humano, em última instância, no centro, como sujeito autônomo que define Deus, a verdade e o bem. Um pensamento centrado no sujeito humano autônomo, por mais sofisticado que seja, dispõe de poucos recursos quando esse mesmo sujeito é capturado por poderes totalitários que lhe prometem sentido, identidade e pertencimento. O “eu” isolado é facilmente absorvido pelo “nós” de uma comunidade nacional mobilizada.

Por isso, em Akt und Sein, Bonhoeffer insiste que Deus não pode ser pensado como objeto da reflexão religiosa nem como simples projeção da experiência subjetiva, mas como sujeito vivo que nos encontra, nos interpela e nos constitui. Deus age (Akt), Deus é (Sein), e esses dois aspectos se unem na realidade histórica da encarnação. Cristo não é uma possibilidade entre outras, mas a realidade na qual somos incluídos.

Igreja: Cristo Existindo como Comunidade

Em Sanctorum Communio (1927), sua tese de doutorado escrita aos 21 anos, Bonhoeffer já afirmava que a Igreja não é uma instituição humana, mas “Cristo existindo como comunidade” [2]. Não se trata de uma metáfora piedosa, mas de uma afirmação ontológica: a Igreja é a forma histórica pela qual Cristo continua presente no mundo após a ascensão.

Essa eclesiologia cristocêntrica tem implicações diretas para a compreensão da política. Se Cristo existe como comunidade, então a Igreja não pode ser reduzida a uma esfera privada da vida religiosa, separada da realidade pública. A Igreja é uma realidade social concreta, visível, que ocupa espaço no mundo e que, por sua própria existência, desafia qualquer pretensão de autonomia absoluta do Estado ou de qualquer outra estrutura social.

Quando o regime nazista tentou subordinar a Igreja ao Estado, criando uma “Igreja do Reich” (Reichskirche) controlada pelo partido, Bonhoeffer e outros teólogos perceberam que estava em jogo não apenas uma questão de organização eclesiástica, mas a própria identidade da Igreja. Uma Igreja que aceita ser definida pelo Estado deixa de ser Igreja de Cristo e torna-se instrumento de propaganda política.

A Declaração de Barmen (1934), redigida principalmente por Karl Barth com contribuição de Bonhoeffer e outros líderes, tornou-se o documento fundador da Igreja Confessante (Bekennende Kirche) [3]. Sua primeira tese afirma com clareza contundente:

“Jesus Cristo, como nos é testemunhado na Sagrada Escritura, é a única Palavra de Deus, a quem devemos ouvir, em quem devemos confiar e a quem devemos obedecer na vida e na morte.”

E rejeita explicitamente “a falsa doutrina de que a Igreja poderia e deveria reconhecer, além dessa única Palavra de Deus, ainda outras fontes de sua pregação”. Essa rejeição não é apenas de “outras fontes” teológicas, mas de qualquer tentativa de subordinar a Igreja a ideologias políticas, sejam elas nazistas, liberais ou socialistas.

Cristo como Realidade, Não Ideia

A distinção entre Cristo como realidade concreta e Cristo como ideia abstrata é fundamental para compreender a teologia política de Bonhoeffer. Quando Cristo é reduzido a uma ideia – um ideal moral, um princípio religioso, um símbolo de valores universais – ele pode ser facilmente manipulado, adaptado a diferentes contextos e subordinado a outros interesses. Mas quando Cristo é reconhecido como realidade concreta, como pessoa histórica que viveu, morreu e ressuscitou, então ele se torna o critério último diante do qual todas as outras realidades devem ser julgadas.

Como Bonhoeffer escreve em Ethik [4], em Cristo, vemos a realidade de Deus e a realidade do mundo simultaneamente. A realidade de Deus não se revela senão ao colocar-me completamente no mundo, e o mundo não posso encontrá-lo senão em Deus.

Essa compreensão da realidade subverte a distinção convencional entre sagrado e secular, entre religioso e político. Não há uma esfera “religiosa” onde Deus está presente e uma esfera “secular” onde ele está ausente. Não há uma esfera “espiritual” governada por princípios cristãos e uma esfera “material” governada por leis autônomas. Cristo é Senhor de toda a realidade, e isso significa que não há área da vida humana que possa ser declarada neutra ou autônoma diante dele.

Aqui reside um dos dilemas históricos mais complexos do protestantismo alemão. A doutrina luterana dos dois reinos – que distingue o reino espiritual (governado pelo evangelho e pela Igreja) do reino temporal (governado pela lei e pelo Estado) – havia sido interpretada, em muitos contextos, de modo a privatizar radicalmente a fé. Quando o Estado nazista começou a perseguir judeus, a suprimir liberdades fundamentais e a subordinar a Igreja aos seus propósitos ideológicos, muitos cristãos alemães permaneceram passivos ou até coniventes. Essa omissão não se explica apenas por teologia – fatores nacionalistas, antissemitismo institucionalizado, medo da repressão e cálculo político também foram decisivos. Mas a leitura dualista dos dois reinos ofereceu cobertura teológica para a acomodação, permitindo que cristãos alegassem que perseguição racial e terror de Estado eram “questões seculares” nas quais a Igreja não deveria interferir.

Bonhoeffer rejeitou essa leitura privatizante, mas não abandonou a estrutura dos dois reinos. Ao contrário, ele a reformulou radicalmente: se Cristo é a realidade, então ambos os reinos existem sob seu senhorio, como unidade diferenciada. O Estado não é autônomo nem isento de responsabilidade moral diante de Deus. Ele recebe sua autoridade de Deus e é chamado a exercê-la de acordo com a vontade divina. Portanto, quando o Estado ultrapassa seus limites e se torna instrumento de opressão, a obediência a Cristo pode exigir a desobediência ao Estado. Essa não foi uma posição imediata ou simples – os próprios escritos de Bonhoeffer mostram desenvolvimento e tensões ao longo dos anos 1930 e 1940. Mas sua trajetória aponta consistentemente para uma direção: a fé cristã não pode ser privatizada, e a Igreja tem obrigação profética de resistir quando estruturas políticas se tornam demoníacas.

Cristo “Para os Outros”: A Estrutura da Ética Cristã

A estrutura “pró-existente” da vida de Cristo, sua existência “para os outros”, é o fundamento da ética cristã e, por extensão, da ação política responsável. Cristo não veio para ser servido, mas para servir e dar sua vida em resgate por muitos (Marcos 10.45). Ele é o “homem para os outros”, aquele que vive inteiramente voltado para o bem do próximo.

Quando Jesus lava os pés dos discípulos (João 13.1-17), ele não faz um gesto simbólico isolado, mas revela a própria natureza de Deus: um Deus que serve, que se abaixa, que carrega o fardo do outro, até o ponto de dar sua vida na cruz. A Igreja, como corpo de Cristo, é chamada a essa mesma existência “para os outros” em cada dimensão da vida.

Em Nachfolge (Discipulado, 1937), Bonhoeffer critica a “graça barata” – a ideia de que a salvação é um presente gratuito que não exige nada de nós [5]. Contra essa distorção do Evangelho, ele insiste na “graça preciosa”, a graça que custou a vida de Cristo e que nos chama a segui-lo no caminho da cruz. “Quando Cristo chama um homem, ele o convida a vir e morrer”, escreve Bonhoeffer. Essa morte não é necessariamente o martírio físico, mas a morte do velho eu, a renúncia à autonomia e ao egocentrismo, para viver uma vida centrada em Cristo e voltada para o próximo.

Foi essa compreensão da substituição vicária que levou Bonhoeffer a se posicionar ao lado dos judeus perseguidos pelo regime nazista, mesmo quando a maioria dos cristãos alemães permanecia indiferente ou até apoiava as políticas antissemitas. Em um ensaio de 1933, “A Igreja e a Questão Judaica“, Bonhoeffer argumenta que a Igreja tem três responsabilidades diante de um Estado injusto: primeiro, questionar o Estado sobre a legitimidade de suas ações; segundo, ajudar as vítimas da injustiça; terceiro, em casos extremos, “não apenas enfaixar as vítimas sob a roda, mas travar a própria roda”.

Essa terceira responsabilidade – a resistência ativa – só se justifica em situações extremas, mas quando o Estado se torna radicalmente injusto, a fidelidade a Cristo pode exigir a desobediência civil ou até a participação em uma conspiração para derrubar o governo.

O Chamado à Responsabilidade

A cristologia concreta de Bonhoeffer, sua compreensão de Cristo como realidade e sua ênfase na estrutura pró-existente da vida cristã convergem em um conceito central de sua ética: a responsabilidade. Para Bonhoeffer, a responsabilidade não é primariamente obediência a regras morais abstratas ou conformidade a princípios éticos universais, mas resposta concreta à realidade de Cristo e ao chamado que ele nos dirige em cada situação específica.

Em Ética, Bonhoeffer desenvolve o conceito de “culpa necessária” para descrever situações em que a ação responsável envolve a violação de normas morais. Em um mundo caído, marcado pelo pecado e pela injustiça, há situações em que todas as opções disponíveis envolvem algum grau de culpa. Nessas situações, a responsabilidade não consiste em manter as mãos limpas, em preservar a própria pureza moral à custa do sofrimento alheio, mas em assumir a culpa necessária para servir ao próximo.

Participar de uma conspiração para assassinar Hitler envolvia culpa (o mandamento “não matarás” não deixa de ser válido), mas permitir que Hitler continuasse a governar, sabendo das atrocidades que ele estava cometendo e planejando, também envolvia culpa – a culpa da omissão, da cumplicidade passiva.

Bonhoeffer viveu essa tensão de modo dramático. Quando ficou claro que o regime nazista não poderia ser reformado de dentro e que estava levando a Alemanha e a Europa a uma catástrofe sem precedentes, Bonhoeffer concluiu que a responsabilidade diante de Deus exigia uma ação mais radical. Sua participação na conspiração contra Hitler não foi uma decisão tomada levianamente, mas o resultado de longa reflexão teológica e espiritual.

Bonhoeffer foi preso em abril de 1943 e executado por enforcamento em 9 de abril de 1945, poucos dias antes do fim da guerra, por ordem direta de Hitler. Seu martírio não foi busca de glória ou romantização do sofrimento, mas a consequência de uma vida vivida em fidelidade a Cristo.

Para a Igreja Brasileira Hoje

A cristologia de Bonhoeffer e sua ética da responsabilidade oferecem recursos valiosos para a Igreja brasileira contemporânea navegar os desafios políticos do século XXI. Em um contexto de polarização política, onde cristãos são tentados a identificar o Reino de Deus com projetos políticos específicos, Bonhoeffer nos lembra que Cristo é Senhor sobre toda a realidade, mas que seu senhorio não se manifesta na forma de poder coercitivo ou de imposição de uma agenda cristã sobre a sociedade.

O senhorio de Cristo se manifesta no caminho da cruz, na forma de existência “para os outros”, no serviço sacrificial ao próximo. Isso significa que os cristãos brasileiros devem resistir à tentação de absolutizar qualquer projeto político, de transformar partidos ou líderes em salvadores messiânicos, de sacrificar pessoas concretas em nome de ideais abstratos – sejam eles “desenvolvimento econômico”, “justiça social”, “valores tradicionais” ou “progresso”.

Devemos, ao contrário, manter sempre uma distância crítica em relação a todos os poderes políticos, reconhecendo que nenhum deles é absoluto e que todos estão sob o juízo de Deus. Ao mesmo tempo, essa distância crítica não significa indiferença ou passividade. A responsabilidade diante de Deus exige envolvimento político, mas um envolvimento que nasce da fé em Cristo e que se manifesta na forma de serviço ao próximo, especialmente aos mais vulneráveis e marginalizados.

A estrutura pró-existente da vida cristã também tem implicações para a compreensão da Igreja. Como Bonhoeffer escreveu da prisão em 1944: “A Igreja só é Igreja quando existe para os outros”. Uma Igreja voltada para si mesma, preocupada apenas com sua própria sobrevivência institucional ou com o bem-estar espiritual de seus membros, traiu sua vocação.

Em um contexto brasileiro de desigualdade social, violência, corrupção e polarização política, a tentação é grande de reduzir a Igreja a um refúgio espiritual onde as pessoas buscam consolo e sentido para suas vidas privadas. Mas a cristologia de Bonhoeffer nos desafia a uma compreensão mais ampla e mais exigente da missão da Igreja. A Igreja é chamada a ser presença de Cristo no mundo, e isso significa viver “para os outros”, especialmente para os mais vulneráveis e marginalizados.

A Revolução que Destrói Ídolos

A “revolução do Deus encarnado” não é uma revolução política nos termos usuais. Ela subverte, mais radicalmente, a própria pretensão de autonomia absoluta do político. E é precisamente essa recusa de divinizar o político que permite uma ação política verdadeiramente responsável, desiludida das promessas messiânicas das ideologias e atenta aos desafios contemporâneos.

Cristo não é um objeto que o pensamento humano possa apreender, mas o sujeito que nos apreende. Deus age, e nesse agir, Ele é. Essa compreensão da realidade não permite que transformemos Raça, Classe, Mercado, Nação ou qualquer outra categoria penúltima em instância absoluta. Cristo destrona toda pretensão humana de absolutização.

A vida e o testemunho de Dietrich Bonhoeffer nos desafiam a viver essa fé encarnada, essa cristologia concreta que transforma toda a nossa existência. Ele não nos oferece um manual de ação política ou um programa partidário, mas uma visão teológica da realidade que nos capacita a discernir a vontade de Deus em cada situação e a agir responsavelmente.

Que possamos, como Bonhoeffer, viver “para os outros”, assumir responsabilidade pelo próximo, resistir à injustiça e dar a vida, se necessário, em favor daqueles que sofrem. Pois é assim que o senhorio de Cristo se manifesta no mundo: não em poder e glória, mas em serviço e cruz.


Qual ídolo político você está sendo tentado a absolutizar hoje? Como a cristologia concreta de Bonhoeffer desafia suas alianças políticas? Compartilhe suas reflexões nos comentários.


Referências

[1] Akt und Sein (Habilitationsschrift, 1929) – investigação teológica sobre a relação entre ação e ser, que procura libertar a teologia da dependência de filosofias idealistas e estabelece pressupostos metodológicos que influenciaram a crítica posterior de Bonhoeffer ao totalitarismo. Bonhoeffer problematiza a relação entre ato (Akt) e ser (Sein), defendendo que a teologia deve recuperar uma linguagem e uma metodologia que permitam à Igreja e à teologia responderem à realidade histórica e comunitária da fé. (Dietrich Bonhoeffer, Akt und Sein. Transzendentalphilosophie und Ontologie in der systematischen Theologie, Habilitationsschrift (1929); ed. crítica em Werkausgabe e traduções/edições modernas disponíveis em edições acadêmicas especializadas0.

[2] Sanctorum Communio (literalmente A Comunhão dos Santos) é a dissertação de doutorado de Dietrich Bonhoeffer, concluída em 1927 e publicada em edições posteriores; a obra apresenta uma investigação dogmática sobre a sociologia da Igreja, articulando uma teologia do Espírito que desloca a compreensão da Igreja de uma estrutura meramente institucional para uma realidade relacional e ontológica: a Igreja como comunidade na qual Cristo existe e age (Dietrich Bonhoeffer, Sanctorum Communio: The Communion of Saints. A Dogmatic Inquiry into the Sociology of the Church, dissertação, 1927; edições críticas e traduções: ver ed. Augsburg Fortress / Dietrich Bonhoeffer Works, e edições em língua alemã na Werkausgabe.).

[3] Die Barmer Theologische Erklärung (Declaração Teológica de Barmen), adotada no sínodo de Barmen, 1934; principal redator: Karl Barth; documento fundador da Bekennende Kirche, em oposição ao movimento ‘Cristãos Alemães’ e à instrumentalização nazista da Igreja.

[4] Ética – obra central da reflexão ética de Dietrich Bonhoeffer — apresenta uma teologia prática que articula encarnação, responsabilidade e ação cristã na história. A partir da noção de que a vida moral só se compreende na relação concreta entre fé, comunidade e mundo, Bonhoeffer problematiza categorias abstratas e propõe uma ética da responsabilidade e do testemunho cristão. (BONHOEFFER, Dietrich. Ética. 9. ed. São Leopoldo: Editora Sinodal, 2025. 218 p..

[5] Originalmente publicado em alemão como Nachfolge (1937) e em inglês como The Cost of Discipleship, a obra Discipulado contrapõe a “graça barata” à “graça preciosa”, defendendo que o discipulado autêntico exige obediência concreta, renúncia e responsabilidade ética no mundo histórico; tornou‑se referência central para debates sobre ética cristã, responsabilidade e resistência diante de poderes políticos injustos. (BONHOEFFER, Dietrich. Discipulado. 1. ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2016. 256 p.).


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