No Advento, o cântico de Maria ressoa como oração, esperança e anúncio profético.
O Magnificat nos reconduz ao Deus que exalta os humildes e subverte o poder.
Natal, para Maria, é justiça divina que desce do céu e transforma a terra.
Leia: Lucas 1.46-55
No ciclo do Advento, a figura de Maria se destaca como uma janela que se abre para o milagre do Natal. Bill Crowder, no capítulo “Maria: Janela do Milagre” (em Janelas do Natal), descreve a jovem de Nazaré como o ponto onde o céu toca a terra por meio do improvável. Maria é o lugar onde o extraordinário se instala no ordinário. O nascimento do Salvador entra na história não pelo caminho da força, mas pelo caminho da fragilidade.
Esse movimento divino – de cima para baixo, do trono para a periferia – dialoga profundamente com a pergunta poética da antiga canção natalina “Eu me pergunto enquanto vagueio” (I Wonder as I Wander). A letra interroga:
“Eu me pergunto enquanto vagueio sob o céu aberto,
por que Jesus, o Salvador, veio para morrer…”
A pergunta é ingênua e profunda ao mesmo tempo. Por que Deus faria isso? Por que o Criador se submeteria à carne? Por que nascer anônimo? Por que entregar-se ao mundo? A resposta está no cântico de Maria. O Magnificat é a resposta cantada da fé.
O Cântico Que Inaugura um Novo Tipo de Natal
O Magnificat – “Minha alma engrandece ao Senhor” – é mais do que um hino pessoal de gratidão. É um manifesto teológico. Uma proclamação pública de que o Deus de Israel entrou no mundo para reverter suas lógicas e revelar Sua justiça.
Martinho Lutero, em Magnificat: O Louvor de Maria, o descreveu assim:
“Os olhos de Deus olham sempre para baixo, nunca para o alto.”
Enquanto o mundo busca grandeza, Deus mira a pequenez. Enquanto o mundo valoriza poder, Deus escolhe vulnerabilidade. Enquanto o mundo premia os visíveis, Deus vem aos esquecidos.
Maria não era ninguém especial aos olhos de sua sociedade: pobre, jovem, da periferia de Nazaré, provavelmente sem grande instrução. No entanto, seu ventre se torna o lugar da encarnação – e sua voz se torna o instrumento do anúncio profético de Deus.
Crowder nos lembra:
“Maria nos ajuda a ver que Deus inicia Seus grandes atos de redenção nos lugares mais improváveis, entre pessoas improváveis.”
É isso que o Magnificat celebra.
A Justiça do Advento: Derrubar e Levantar
O cântico de Maria não cabe dentro do romantismo sentimental que muitas vezes envolve o Natal. Ele é terno, mas é forte. É doce, mas é explosivo. É um louvor, mas também é um juízo.
Maria canta que Deus derruba os poderosos de seus tronos, exalta os humildes, despede os ricos vazios e enche de bens os famintos.
Aqui está o coração missional do Natal: o Reino de Deus invade o mundo invertendo prioridades e devolvendo dignidade. O Magnificat é a música daqueles que nunca tiveram voz.
É o cântico daqueles que perguntam, como na canção americana: “Por quê?”
Por que Deus viria por nós? Por que Ele se importaria com gente tão frágil?
Maria responde: “Porque Ele contemplou a humildade de sua serva.”
Deus nos vê. Deus se inclina. Deus age.
Espiritualidade Invertida: Quando Deus Visita o Perdido
A teologia missional encontra no Magnificat uma síntese do Evangelho. Para Lutero, a história de Maria mostra que Deus se revela no contrário, naquilo que o mundo despreza: o Messias vem na periferia, a anunciação é dirigida a uma jovem pobre, a revelação é dada aos pastores (e não aos sacerdotes), a salvação chega ao mundo envolta em panos (e não em ouro).
O Deus que nasce “embaixo” continua agindo de baixo para cima. Por isso, o Magnificat não é um canto distante – é uma convocação. É um convite para ver o mundo com os olhos de Deus: de baixo para cima, nunca o contrário.
Magnificat Como Missão
Se o Magnificat revela a justiça do Natal, ele também exige uma resposta. Não basta cantar – é preciso encarnar.
Ver o invisível. O Evangelho nos chama a olhar para aqueles sobre quem o mundo passa por cima: os pobres, os exaustos, os esquecidos, os frágeis.
Esperar como Maria. A alegria de Maria não nasce da estabilidade, mas da esperança – porque Deus começou algo novo nela.
Viver a justiça do Reino. O Natal nos compromete com a reconciliação, a partilha, a mesa aberta e o acolhimento radical.
Orar como Maria. Orar é engrandecer a Deus – fazer Dele o centro, e não de nós mesmos.
A Canção Que Responde ao Assombro
A canção “I Wonder as I Wander” pergunta. O Magnificat responde.
A pergunta é humana: “Por que Deus se importa?”
A resposta é divina: “Porque Ele olhou para a humildade da sua serva.”
No Magnificat, Maria nos ensina que o Natal não é apenas ternura – é transformação. Não é apenas luz – é justiça. Não é apenas contemplação – é missão.
No ventre de Maria, Deus se faz pequeno. Na voz de Maria, Deus anuncia que o Reino está vindo. E no cântico de Maria, o mundo é convidado a ser reordenado pela graça.
O Natal é justiça cantada. E Maria é sua primeira missionária.
Vamos Celebrar a Espera!
Três vídeos para ajudar você a:
Resgatar o verdadeiro significado do Natal;
Se preparar para celebrar de verdade;
Viver o melhor da tradição cristã.









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