O que Fizemos do Natal: Quando o Consumo Substitui a Encarnação

Hábitos Natalinos no Brasil Contemporâneo

O shopping está repleto. Luzes douradas pendem do teto em cascatas cintilantes. Uma árvore de quinze metros domina o átrio central, cercada por pacotes embrulhados em papel metalizado. Música ambiente — uma versão jazzificada de “Noite Feliz” — preenche o ar condicionado. Famílias circulam com sacolas de marcas reconhecíveis. Crianças fazem fila para fotografar com um Papai Noel de barba sintética. Um casal discute, tenso, sobre o orçamento do décimo terceiro. Uma adolescente grava um story mostrando as vitrines decoradas.

Bem-vindo à liturgia natalina brasileira contemporânea.

Se James K. A. Smith está correto — e creio que está — em sua antropologia do homo liturgicus, então não estamos apenas “fazendo compras de Natal”. Estamos sendo formados. Essas práticas repetitivas, incorporadas e afetivamente carregadas não são neutras. Elas nos ensinam o que amar, o que desejar, o que considerar como “vida boa”. E a questão urgente para a igreja brasileira não é simplesmente “como resistir ao consumismo natalino”, mas algo mais profundo: que tipo de pessoas essas liturgias seculares estão nos formando para ser, e como isso contrasta radicalmente com a formação que a narrativa da Encarnação oferece?

Este artigo propõe uma exegese cultural das liturgias natalinas no contexto brasileiro, procurando desvelar os imaginários sociais, os telos implícitos e as narrativas subjacentes que competem com — e frequentemente substituem — o verdadeiro sentido do Natal cristão.

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Os Rituais de Natal Estão Te Treinando — Mas Para Quê?

O shopping está repleto. Luzes douradas pendem do teto em cascatas cintilantes. Famílias circulam com sacolas de marcas reconhecíveis. Crianças fazem fila para fotografar com um Papai Noel de barba sintética. Um casal discute, tenso, sobre o orçamento do décimo terceiro. Bem-vindo aos rituais de Natal que nos treinam sem percebermos.

Liturgia é como treino de academia. Você repete exercícios, seu corpo muda. Da mesma forma, quando repetimos rituais de Natal — comprar, decorar, cear, postar fotos — nossos desejos e nossa visão de “vida boa” também mudam. O problema é que os rituais do Natal comercial nos treinam para amar coisas erradas. Eles nos ensinam que a felicidade está na abundância material, na família perfeita do Instagram e na nostalgia como salvação. São como um remédio que alivia a dor por uma noite, mas não cura a doença de verdade.

O Natal do shopping promete: abundância (quanto mais presentes, mais amor), harmonia familiar (mas é um teatro para fotos nas redes sociais), magia e nostalgia (uma fuga da realidade dura).

O Natal de Jesus, por outro lado, proclama algo radicalmente diferente. É um Deus que desce e se esvazia. Ele não nasce em um palácio, mas em uma manjedoura humilde. Não promete um sentimento passageiro, mas salvação real para a humanidade. Não idealiza a família perfeita, mas cria uma nova família – a Igreja – composta por pecadores redimidos. Não oferece uma noite mágica que acaba no dia seguinte, mas um Reino inaugurado que não termina em 26 de dezembro. O contraste é chocante: o Natal comercial celebra a abundância; o Natal bíblico celebra o esvaziamento de Cristo, que “não considerou a igualdade com Deus algo a que devesse apegar-se; antes, esvaziou-se a si mesmo” (Filipenses 2:6-7). Um é teatro; o outro é redenção.

Como podemos resistir a essa formação do consumo e ser moldados pelo Natal verdadeiro?

  1. Advento como treino: Quatro semanas antes do Natal, pratique a espera. Acenda velas, leia as profecias que falavam de Jesus (como Isaías 9). Seu corpo e sua alma aprendem que a gratificação não é instantânea, e que a verdadeira alegria vem da espera por algo maior.
  2. Hospitalidade radical: Convide para a ceia de Natal quem estaria sozinho — o vizinho idoso, o refugiado, o morador de rua. Isso encena o Evangelho de forma prática: Cristo veio para os marginalizados, e os pastores, pessoas simples, foram os primeiros a adorá-Lo.
  3. Generosidade sacrificial: Em vez de trocar presentes caros entre adultos que não precisam de nada, redirecione esse dinheiro para causas do Reino. Diga: “João, em seu nome, doamos para alimentar crianças refugiadas.” Isso treina a generosidade real, que não espera nada em troca, em vez do consumo recíproco.

Seus rituais de Natal estão te moldando. A questão não é se você será formado, mas por quais rituais. O shopping promete muito, mas não entrega a verdadeira satisfação. Jesus, por sua vez, entregou tudo: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade” (João 1:14). Este Natal, escolha seus rituais com sabedoria. Porque aquilo que você pratica repetidamente, você se tornará.

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I. ANATOMIA DAS LITURGIAS SECULARES DO NATAL BRASILEIRO

A Experiência Vivida: Fenomenologia do Natal Comercial

Comecemos com o estranhamento do familiar. Como você descrevera para si mesmo o que acontece no Brasil entre novembro e dezembro.

A Convocação: Já na última semana de outubro, somos convocados. Não por sinos de igreja, mas por vitrines que se transformam. A Black Friday — importação cultural recente, mas rapidamente naturalizada — funciona como o “Advento comercial”, um período de preparação não para a vinda de Cristo, mas para a temporada de consumo. Notificações de aplicativos nos alertam sobre “ofertas imperdíveis”. E-mails inundam caixas de entrada com contadores regressivos. A convocação é urgente, escassa, FOMO-indutora: “últimas unidades”, “só hoje”, “não perca”.

O Cenário Litúrgico: Os espaços urbanos brasileiros se transfiguram. Shoppings — já templos do consumo em tempos normais — tornam-se catedrais natalinas. A iluminação muda: tons dourados, vermelhos, prateados. Árvores gigantescas (frequentemente artificiais, ironia não intencional em país tropical) ocupam praças centrais. Ruas comerciais instalam túneis de luz. Casas competem em decoração externa — pisca-piscas, bonecos infláveis, projeções. O espaço físico nos diz: algo extraordinário está acontecendo.

Os Ritmos Corporais: Observe os movimentos. Há o caminhar acelerado pelos corredores de lojas, o gesto repetitivo de pegar-avaliar-devolver produtos, o deslizar de dedos em telas comparando preços. Há filas — muitas filas. Espera-se para pagar, para embrulhar, para fotografar. O corpo aprende paciência não como virtude contemplativa, mas como custo necessário para acessar o objeto desejado. Há também o ritual do embrulho: papel, fita, laço. O objeto comum é consagrado através da estética do presente.

A Trilha Sonora: Músicas natalinas — versões seculares, claro — tocam incessantemente. “Então é Natal” de Simone, “All I Want for Christmas” de Mariah Carey, “Jingle Bells” em arranjos tropicais. A repetição não é acidental; é formativa. Essas canções criam uma atmosfera afetiva: nostalgia, alegria antecipada, um senso de que “este é um tempo especial”. Mas especial por quê? A letra raramente menciona Cristo. O sagrado aqui é a própria “magia do Natal” — uma sacralidade vazia, um numinoso sem Deus.

Os Objetos Consagrados: Que objetos são tratados como sagrados nesta liturgia? Primeiramente, o presente embrulhado. Ele não pode ser aberto antes da hora. Deve ser colocado sob a árvore (o altar doméstico). Sua aparência importa tanto quanto seu conteúdo — daí a indústria de papéis de presente. Segundo, a ceia: a mesa farta (peru, tender, farofa, frutas importadas) fotografada antes de ser consumida. O Instagram se torna o livro de memórias litúrgicas, o registro de que “celebramos corretamente”. Terceiro, a própria família reunida — mas voltaremos a isso.

O Telos Encenado: Que “Vida Boa” o Natal Secular Promete?

Se alguém fosse completamente formado pelas liturgias natalinas seculares brasileiras, que tipo de pessoa se tornaria? Que visão de florescimento humano está sendo ensaiada?

A vida boa como abundância material: O Natal comercial proclama que a realização humana se manifesta através da capacidade de dar (e receber) presentes. Quanto mais presentes, mais amor. Quanto mais caros, mais significativos. A generosidade é quantificada, mercantilizada. A pessoa bem-sucedida é aquela que pode “proporcionar um bom Natal” — tradução: comprar adequadamente.

A vida boa como harmonia familiar performada: As liturgias natalinas brasileiras prometem que, neste tempo especial, as famílias se reconciliam, os conflitos cessam, todos se reúnem em harmonia. Mas observe: essa harmonia é frequentemente performática. A ceia precisa ser fotografada. A decoração precisa impressionar. A família precisa parecer feliz. O Natal se torna teatro, e todos nós, atores exaustos tentando sustentar a ilusão de que “nossa família é especial”.

A vida boa como nostalgia e escape: Há uma dimensão escapista profunda. O Natal secular brasileiro promete um retorno à infância, à inocência, a um tempo “quando as coisas eram mais simples”. Filmes natalinos (assistidos ritualmente) reforçam isso: “Esqueceram de Mim”, “O Grinch”, “Amor Pra Recordar”. A narrativa é sempre a mesma: o mundo é duro, mas no Natal, a magia acontece. Problemas se resolvem. Milagres (seculares) ocorrem. É um evangelho de sentimentalismo: creia na magia, e você será salvo — pelo menos até janeiro.

A vida boa como inclusão através do consumo: Finalmente, o Natal comercial promete pertencimento. Quem não participa — quem não decora, não presenteia, não ceia — está excluído. A liturgia cria uma comunidade de consumidores. Compartilhamos os mesmos rituais, compramos nas mesmas lojas, assistimos aos mesmos filmes. Nossa identidade comum não é Cristo, mas a participação no espetáculo natalino.

A Narrativa Implícita: A História Que o Natal Secular Conta

Toda liturgia encena uma narrativa. Qual história o Natal comercial brasileiro está contando?

Cenário: Vivemos num mundo de escassez afetiva e material. A vida cotidiana é dura, o trabalho é alienante, os relacionamentos são frágeis.

Diagnóstico: O problema humano fundamental é a falta — falta de alegria, falta de conexão, falta de “magia”. Estamos sozinhos, desiludidos, nostálgicos de algo perdido.

Redentor: A solução vem através do próprio Natal — não o Cristo encarnado, mas o espírito natalino, uma força difusa de bondade e generosidade que “está no ar” em dezembro. Os mediadores dessa salvação são o consumo (que expressa amor), a família (que oferece pertencimento) e a nostalgia (que reconecta com inocência perdida).

Caminho: Alcançamos redenção através da participação nos rituais: decorar, comprar, cear, reunir, fotografar, postar. Quanto mais intensamente participamos, mais “entramos no espírito natalino”.

Escatologia: O horizonte final é a noite de Natal: a mesa farta, os presentes abertos, a família reunida, todos felizes. É uma escatologia doméstica e efêmera — dura uma noite. No dia seguinte, voltamos ao mundo comum. Mas a promessa é: “ano que vem, faremos de novo”.


II. O NATAL BÍBLICO: UMA CONTRA-NARRATIVA RADICAL

Agora, o contraste. O que a narrativa bíblica da Encarnação proclama? Como a liturgia cristã autêntica do Advento e Natal forma desejos radicalmente diferentes?

Cenário: Um Mundo em Rebelião e Exílio

A história bíblica não começa com escassez sentimental, mas com rebelião cósmica. A humanidade não está apenas triste ou nostálgica — está morta em transgressões, alienada de Deus, sob julgamento. O problema não é falta de “magia”, mas idolatria, injustiça e morte. Israel aguarda não um sentimento, mas um Libertador prometido. O mundo geme, não por presentes, mas por redenção.

Diagnóstico: Pecado, Não Melancolia

O Natal bíblico diagnostica o problema humano como pecado — rebelião contra o Criador, adoração de ídolos, opressão do próximo. Não somos vítimas de um mundo sem encanto; somos culpados que precisam de perdão. Não precisamos de nostalgia; precisamos de arrependimento. A condição humana não é “falta de alegria natalina”, mas “mortos em delitos e pecados” (Efésios 2:1).

Redentor: O Deus que Desce

A solução não vem de dentro — de nossa capacidade de gerar “espírito natalino” — mas de fora, de cima. Deus mesmo desce. “O Verbo se fez carne e habitou entre nós” (João 1:14). Não há nada de sentimental aqui. É escandaloso: o Criador do universo nasce numa manjedoura, em Belém, sob ocupação romana, de uma virgem pobre.

Observe o contraste: o Natal comercial celebra abundância; o Natal bíblico celebra esvaziamento (kenosis). Cristo “não considerou a igualdade com Deus algo a que devesse apegar-se; antes, esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo” (Filipenses 2:6-7). O Redentor não vem em esplendor consumista, mas em pobreza radical.

Caminho: Fé, Não Consumo

Como alcançamos salvação? Não através de rituais de consumo, mas através de fé no Cristo encarnado. Maria responde ao anjo: “Eis aqui a serva do Senhor; que se cumpra em mim conforme a tua palavra” (Lucas 1:38). José obedece, mesmo quando não entende. Os pastores — marginalizados sociais — creem no anúncio angelical e vão adorar. Os magos trazem presentes, sim, mas não como expressão de afeto familiar; como adoração ao Rei dos reis.

O caminho cristão não é participar de rituais que nos fazem sentir bem, mas render-se ao Deus que se fez carne para nos salvar.

Comunidade: Igreja, Não Família Nuclear Idealizada

O Natal bíblico não promete harmonia familiar performática. Jesus dirá mais tarde: “Vim trazer divisão” (Lucas 12:51). Sua própria família pensou que ele estava louco (Marcos 3:21). A comunidade que o Natal cristão forma não é a família nuclear idealizada das propagandas, mas a Igreja — uma família multinacional, multiétnica, de pecadores redimidos que não compartilham DNA, mas o sangue de Cristo.

Escatologia: Reino Inaugurado, Não Noite Mágica

O horizonte final do Natal bíblico não é uma ceia perfeita em 25 de dezembro, mas o Reino de Deus inaugurado na Encarnação. “O povo que jazia em trevas viu grande luz” (Mateus 4:16). O anjo proclama: “Eis que vos trago boa nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lucas 2:10-11).

Esta alegria não é efêmera. Não termina em 26 de dezembro. É a alegria da redenção cósmica, da vitória sobre pecado e morte, da esperança da Nova Criação. O Natal cristão não é escapismo nostálgico; é a celebração de que Deus invadiu a história para restaurar todas as coisas.


III. CONTRA-LITURGIAS: PRÁTICAS CRISTÃS DE RESISTÊNCIA E FORMAÇÃO

Diante desse contraste radical, o que fazemos? Como líderes de igreja, pastores e cristãos comprometidos podem cultivar liturgias natalinas que formem desejos cristãos autênticos, resistindo à captura pelo Natal comercial?

1. Recuperar o Advento como Tempo de Preparação Penitencial

Prática concreta: Institua nas igrejas e lares um Advento de quatro semanas antes do Natal. Use a coroa do Advento (quatro velas). Cada semana, foque em um tema: Esperança, Paz, Alegria, Amor. Leia textos proféticos (Isaías 9, 40, 53; Miqueias 5). Pratique jejum em alguns dias — não como legalismo, mas como contra-formação ao consumismo. O corpo que aprende a esperar, a ter fome e não satisfazê-la imediatamente, está sendo formado contra a liturgia da gratificação instantânea.

2. Simplicidade Radical nos Presentes

Prática concreta: Adote a regra “algo que você quer, algo que você precisa, algo para vestir, algo para ler”. Limite presentes. Melhor ainda: pratique o “Natal de Presença, Não de Presentes”. Em vez de objetos, dê tempo — cartas escritas à mão, promessas de tempo juntos, serviço. Explique às crianças por que você está fazendo isso: “Estamos aprendendo que amor não se mede por presentes, mas pelo dom de Deus em Cristo”.

3. Hospitalidade aos Marginalizados

Prática concreta: A ceia de Natal não deve ser apenas para a família nuclear. Convide intencionalmente alguém que estaria sozinho: o vizinho idoso, o estudante internacional, a família de refugiados, o morador de rua. Isso encena a narrativa bíblica: Cristo veio para os marginalizados. Os primeiros a adorá-lo foram pastores — a classe baixa de Israel. Sua mesa de Natal deve proclamar o Reino, não a família perfeita do Instagram.

4. Liturgia Doméstica da Natividade

Prática concreta: Na noite de Natal, antes de qualquer presente ser aberto, reúna a família e leia Lucas 2:1-20 em voz alta. Cante hinos cristológicos robustos: “Vem, Emanuel”, “Noite Feliz” (com atenção à letra teológica), “Alegrai-vos, Fiéis”. Ore agradecendo não por presentes, mas pela Encarnação. Faça perguntas: “Por que Deus escolheu nascer pobre?” “O que significa que o Verbo se fez carne?” Forme teologicamente enquanto celebra.

5. Generosidade Sacrificial, Não Consumo Recíproco

Prática concreta: Em vez de trocar presentes entre adultos que não precisam de nada, redirecione esse dinheiro para causas do Reino: adoção, missões, combate ao tráfico humano, poços de água em regiões carentes. Faça isso em nome das pessoas que receberiam presentes. “João, em vez de te dar uma gravata, doamos em seu nome para alimentar crianças refugiadas sírias”. Isso forma desejos de generosidade sacrificial, não de reciprocidade consumista.

6. Jejum de Redes Sociais Durante o Natal

Prática concreta: Desafie sua comunidade a um jejum de redes sociais de 23 a 26 de dezembro. Nada de postar ceias, presentes, decorações. Por quê? Porque a liturgia do Instagram forma o desejo de performar felicidade. O jejum nos liberta para viver o Natal sem precisar provar que o vivemos. Porque a liturgia do Instagram forma o desejo de performar felicidade para uma audiência. Aprendemos a viver não o momento, mas a documentar o momento para aprovação alheia. O jejum nos liberta para viver o Natal sem precisar provar que o vivemos.

7. Celebração Prolongada: Os Doze Dias de Natal

Prática concreta: A tradição cristã celebra não um dia, mas doze dias de Natal (25 de dezembro a 6 de janeiro, Epifania). Resista à cultura que desmonta a árvore em 26 de dezembro. Continue celebrando. Leia diariamente histórias da infância de Jesus. Visite amigos. Descanse (contra a liturgia do trabalho que retoma em 2 de janeiro). Prolongar a celebração proclama: este não é um evento comercial efêmero, mas a inauguração do Reino.

8. Catequese Natalina para Crianças

Prática concreta: Ensine às crianças a diferença entre Papai Noel e Jesus. Não minta sobre Papai Noel — isso destrói confiança e confunde categorias de realidade. Explique: “Papai Noel é uma história divertida que as pessoas contam, mas Jesus é real, e Ele é o verdadeiro presente do Natal”. Use presépios (não apenas decoração, mas ferramenta pedagógica). Deixe as crianças montarem e desmontarem, contando a história.

9. Lamento Litúrgico

Prática concreta: O Natal também é tempo de lamento para muitos — os que perderam entes queridos, os que estão doentes, os que enfrentam solidão ou pobreza. Crie espaço litúrgico para isso. Na véspera de Natal, antes da celebração, tenha um momento de lamento: “Reconhecemos que nem todos estão alegres hoje. Trazemos nossas dores ao Deus que se fez carne e conhece nosso sofrimento”. Isso resiste à tirania da alegria performática.

10. Missão Encarnacional

Prática concreta: Use o Natal como oportunidade missionária não através de “eventos evangelísticos”, mas de presença encarnada. Sirva em abrigos. Visite hospitais. Leve música (hinos cristológicos) a asilos. Não para “ganhar almas” transacionalmente, mas para encarnar o Cristo que veio aos últimos, aos pequenos, aos esquecidos. Sua presença proclama o Evangelho mais eloquentemente que palavras.


CONCLUSÃO: QUAL LITURGIA VOCÊ ESCOLHERÁ?

As liturgias natalinas brasileiras contemporâneas não são neutras. Elas estão formando você — formando seus desejos, seus amores, sua visão de vida boa. A questão não é se você será formado, mas por qual liturgia.

O Natal comercial promete abundância, harmonia familiar, nostalgia e pertencimento através do consumo. Mas suas promessas são vazias. A abundância deixa dívidas. A harmonia é performática. A nostalgia é escapista. O pertencimento é superficial.

O Natal bíblico proclama algo radicalmente diferente: um Deus que se esvazia, que desce, que nasce pobre para enriquecer os pobres em espírito. Proclama não sentimento, mas salvação. Não magia, mas Encarnação. Não uma noite perfeita, mas o Reino inaugurado.

Como líderes de igreja e cristãos comprometidos, nossa tarefa não é apenas criticar o Natal secular, mas oferecer contra-liturgias robustas — práticas concretas, incorporadas, repetitivas que formem em nós e em nossas comunidades os desejos do Reino.

Este Natal, escolha suas liturgias com sabedoria. Porque aquilo que você pratica repetidamente, você se tornará. E a pergunta final não é “como você celebrou o Natal?”, mas “que tipo de pessoa as liturgias natalinas estão formando você para ser?”

Que sejamos formados não pela liturgia do consumo, mas pela liturgia da Encarnação. Não pelo evangelho do shopping, mas pelo Evangelho do Verbo feito carne.

E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.” (João 1:14)


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James K. A. Smith é professor de filosofia na Calvin University e um dos mais importantes pensadores cristãos contemporâneos sobre formação espiritual e análise cultural. Sua trilogia “Liturgias Culturais” revolucionou a forma como a igreja entende a relação entre práticas cotidianas e formação de identidade cristã.


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