Uma exegese acadêmica das passagens bíblicas sobre prática homossexual – com rigor textual, refutação de argumentos revisionistas e orientação pastoral para a igreja contemporânea
Nota Editorial: Este artigo aborda um tema sensível com seriedade acadêmica e pastoral. Reconhecemos que leitores com diferentes experiências e perspectivas acessarão este conteúdo. Nosso compromisso é com a fidelidade às Escrituras, o rigor exegético e a compaixão cristã. Para cristãos que experimentam atração pelo mesmo sexo: você é amado por Deus, criado à Sua imagem, e bem-vindo nesta reflexão.
A questão da homossexualidade tornou-se o divisor de águas da teologia contemporânea. Para o cristão que preza o sola scriptura, a resposta não reside nas flutuações da cultura, mas na revelação de Deus nas Escrituras. Este artigo examina os textos fundamentais com rigor exegético, responde às interpretações revisionistas e oferece direção pastoral para a igreja.
PARTE I: FUNDAMENTO EXEGÉTICO
1. O Fundamento Criacional: Gênesis 1-2
Qualquer análise sobre ética sexual deve começar não com proibições, mas com o design original de Deus para a humanidade.
A Diferenciação Sexual como Boa Criação
Em Gênesis 1.27, lemos: “Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.” O texto hebraico usa zachar (macho) e neqevah (fêmea) – termos que enfatizam a diferenciação biológica e funcional, não apenas identidades sociais.
A criação como “macho e fêmea” não é acidental. É declarada “muito boa” (Gênesis 1.31) e estabelece o padrão pelo qual toda sexualidade humana será avaliada.
A Instituição do Casamento: Gênesis 2.24
A narrativa da criação culmina na primeira instituição divina: “Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne” (Gênesis 2.24).
Elementos estruturais do casamento bíblico:
- Deixar (‘azab): ruptura com a família de origem
- Unir-se (dabaq): compromisso permanente, literalmente “colar-se”
- Uma só carne (basar echad): união física, emocional e espiritual
Jesus reafirma este texto como normativo em Mateus 19.4-6, citando-o diretamente ao definir o casamento. Paulo o aplica à união matrimonial em Efésios 5.31. A complementaridade homem-mulher não é uma convenção cultural do Oriente Médio antigo – é o padrão criacional reafirmado por Jesus e pelos apóstolos.
Implicação exegética: No pensamento bíblico, as proibições contra práticas homossexuais não são arbitrárias. São o corolário lógico da afirmação positiva da complementaridade de gênero no casamento. O que diverge de Gênesis 1-2 é identificado como desvio da ordem criacional.
2. A Lei de Santidade: Levítico 18.22 e 20.13
Estes textos são frequentemente descartados como “leis de pureza obsoletas” ou “preconceito cultural antigo”. Uma análise linguística cuidadosa revela algo muito diferente.
Levítico 18.22: “Não te deitarás com varão”
O texto hebraico diz: “Ve’et zachar lo tishkav mishkevei ishah to’evah hi” – literalmente: “E com macho não te deitarás [nos] leitos de mulher; abominação é.”
Análise do termo to’evah (abominação):
A palavra to’evah não designa impureza ritual temporária (como tocar um cadáver, que usa tame). To’evah indica algo intrinsecamente repulsivo a Deus por violar a ordem da vida. Aparece 117 vezes no Antigo Testamento, frequentemente associada a práticas idolátricas e violações morais graves.
Crucialmente, Levítico 18 conclui declarando que estas práticas “contaminam a terra” e levam ao vômito das nações – incluindo os cananeus que nunca estiveram sob a lei mosaica (Levítico 18.24-30). Isso indica que estas proibições transcendem a separação ritual de Israel; são normas morais universais.
Análise da expressão mishkevei ishah (leitos de mulher):
Esta construção hebraica é tecnicamente precisa. Ela condena a tentativa de tratar um homem como se ele ocupasse o lugar biológico e relacional da mulher na união sexual. Não é uma condenação de afeto entre homens (como a amizade de Davi e Jônatas), mas especificamente do ato sexual que subverte a diferenciação criacional dos sexos.
Levítico 20.13: A Pena Capital
“Se um homem se deitar com outro homem como quem se deita com uma mulher, ambos praticaram um ato repugnante. Terão que ser executados; seu sangue cairá sobre eles” (Levítico 20.13).
Nota crítica sobre a pena de morte:
A severidade da punição no código mosaico não determina diretamente a aplicação cristã (não aplicamos pena de morte para adultério, por exemplo). Contudo, revela a gravidade com que Deus via esta violação da ordem sexual. A igreja cristã não aplica teocracia civil, mas mantém a avaliação moral do ato.
Respondendo à objeção: “São leis cerimoniais obsoletas”
Argumento revisionista comum: “Levítico também proíbe comer camarão e usar roupas de tecidos mistos – vocês escolhem o que seguir.”
Resposta exegética:
A tradição teológica cristã distingue três tipos de lei no Antigo Testamento:
- Leis cerimoniais (sacrifícios, dietas) – cumpridas em Cristo (Colossenses 2.16-17)
- Leis civis (governo de Israel) – específicas da teocracia
- Leis morais (os Dez Mandamentos, ética sexual) – refletem o caráter eterno de Deus
A proibição da homossexualidade aparece em Levítico 18-20, seções dedicadas à moralidade sexual e familiar, não às leis dietéticas (Levítico 11) ou de vestimenta (Levítico 19.19). Mais decisivo ainda: o Novo Testamento reafirma esta proibição (como veremos em Romanos 1 e 1 Coríntios 6), mas explicitamente revoga as leis dietéticas (Marcos 7.19; Atos 10.15).
3. O Testemunho Paulino: Romanos 1.26-27
Este é o texto mais detalhado do Novo Testamento sobre o tema e o principal alvo das tentativas de reinterpretação.
O Contexto: A Ira de Deus Revelada
Paulo não inicia Romanos 1 com homossexualidade. Ele descreve uma progressão da idolatria (vv. 21-23) para a degradação moral (vv. 24-32). A prática homossexual é apresentada como evidência visível da ruptura da humanidade com o Criador.
Romanos 1.26-27: O Texto Completo
“Por causa disso Deus os entregou a paixões vergonhosas. Até suas mulheres trocaram suas relações sexuais naturais por outras, contrárias à natureza. Da mesma forma, os homens também abandonaram as relações naturais com as mulheres e se inflamaram de paixão uns pelos outros. Começaram a cometer atos indecentes, homens com homens, e receberam em si mesmos o castigo merecido pela sua perversão.”
Análise exegética detalhada:
- “Deus os entregou” (paredoken): Aparece três vezes (vv. 24, 26, 28). Indica julgamento divino pela retirada de restrições, permitindo que a humanidade experimente as consequências de rejeitar a Deus.
- “Relações naturais” vs. “contrárias à natureza” (para physin): Paulo usa o termo physis (natureza) para descrever o que é conforme o design criacional. A expressão para physin (contra a natureza) indica violação da ordem estabelecida por Deus na criação.
- Inclusão do comportamento feminino (v. 26): Este detalhe é crucial. Paulo menciona explicitamente as mulheres trocando “relações naturais por outras, contrárias à natureza”. Isso anula a tese revisionista de que Paulo estaria condenando apenas pederastia (abuso de meninos por homens adultos), pois o lesbianismo não estava associado a esse abuso no mundo greco-romano.
- Termos biológicos: theleiai (fêmeas) e arsenes (machos): Paulo não usa termos de gênero social (aner/gyne – homem/mulher), mas termos biológicos que enfatizam a distinção sexual criacional. Seu argumento é fundamentado na natureza física, não em convenções culturais.
Refutando Interpretações Revisionistas de Romanos 1
Objeção 1: “Paulo fala de prostituição cultual pagã, não de relações amorosas modernas”
Resposta: Paulo não menciona templos, prostituição ou culto idólatra nos versículos 26-27. Seu argumento é fundamentado na lei natural e na criação. Ele condena o ato em si por violar a physis (natureza/criação), independentemente do contexto religioso ou relacional.
Se Paulo quisesse condenar apenas prostituição cultual, há termos específicos que ele poderia ter usado (porneia, hierodoule). Em vez disso, ele usa linguagem biológica e criacional.
Objeção 2: “Paulo não conhecia ‘orientação sexual’ – ele pensava que todos eram heterossexuais por natureza”
Resposta: Esta objeção comete anacronismo ao impor categorias psicológicas modernas ao texto antigo. A Bíblia não é um tratado de psicologia, mas de ética teológica revelada.
Paulo julga atos e desejos desordenados, independentemente de sua origem (se biológica, ambiental ou volitiva). A profundidade ou persistência de um desejo não o torna moralmente neutro. Toda a humanidade possui inclinações pecaminosas resultantes da Queda – algumas pessoas sentem atração por poder, outras por acumulação, outras por validação sexual. A teologia cristã não santifica desejos pelo fato de serem “profundos” ou “sentidos desde a infância”.
Objeção 3: “Paulo condena apenas o ‘excesso de paixão’, não relacionamentos amorosos estáveis”
Resposta: O texto grego usa exekauthēsan (inflamaram-se) no v. 27, mas isso descreve a intensidade do desejo, não necessariamente promiscuidade. Mais importante: Paulo condena a própria natureza do ato (arsenes en arsesin – machos com machos), não apenas o contexto relacional.
Se a questão fosse apenas “excesso”, Paulo teria condenado heterossexualidade promíscua nos mesmos termos – mas ele não o faz.
4. O Léxico da Iniquidade: 1 Coríntios 6.9-10 e 1 Timóteo 1.10
Paulo utiliza dois termos técnicos gregos para descrever práticas homossexuais. Entender esses termos é crucial para a exegese.
1 Coríntios 6.9-10
“Vocês não sabem que os perversos não herdarão o Reino de Deus? Não se deixem enganar: nem imorais, nem idólatras, nem adúlteros, nem homossexuais passivos ou ativos [malakoi e arsenokoitai], nem ladrões, nem avarentos, nem alcoólatras, nem caluniadores, nem trapaceiros herdarão o Reino de Deus.”
Os Termos Gregos
1. Malakoi (μαλακοί)
Literalmente “suaves” ou “macios”. No contexto de sexualidade, refere-se ao parceiro passivo em relações homossexuais masculinas. O termo carrega conotações de efeminação e da perda intencional da masculinidade. Aparece em literatura greco-romana descrevendo homens que se comportavam como mulheres no ato sexual.
2. Arsenokoitai (ἀρσενοκοῖται)
Este é um neologismo paulino – Paulo parece ter criado o termo combinando duas palavras da Septuaginta (tradução grega do AT) de Levítico 20.13:
- Arsenos (ἄρσενος) = “macho”
- Koitēn (κοίτην) = “leito/relação sexual”
Paulo literalmente pegou as palavras da proibição levítica e as combinou em um único termo. Isso demonstra continuidade intencional entre a lei do Antigo Testamento e a ética apostólica do Novo Testamento.
Refutando Interpretações Revisionistas dos Termos Gregos
Objeção: “Arsenokoitai refere-se a exploradores econômicos ou abusadores, não a relacionamentos consensuais”
Resposta: Esta é uma tentativa de redefinir o termo baseando-se em seu uso posterior limitado em alguns textos patrísticos. Contudo:
- Etimologia clara: O termo é construído diretamente de Levítico 20.13 LXX, que condena o ato sexual entre machos, não exploração econômica.
- Contexto em 1 Coríntios 6: Paulo lista arsenokoitai entre pecados sexuais (adultério, imoralidade), não entre pecados econômicos (roubo, avareza são listados separadamente).
- Consenso lexicográfico: Léxicos padrão de grego (BDAG, Thayer, Liddell-Scott) definem arsenokoitai como referente a homens que se deitam com homens, sem qualificação sobre contexto de poder ou exploração.
- 1 Timóteo 1.10: Paulo usa arsenokoitai em uma lista claramente baseada nos Dez Mandamentos (assassinos, sequestradores, mentirosos), indicando que ele está citando proibições morais universais do Antigo Testamento.
Objeção: “Paulo só conhecia pederastia abusiva – não relacionamentos homossexuais de amor mútuo”
Resposta: Esta objeção é historicamente falsa. O mundo greco-romano tinha exemplos bem documentados de relacionamentos homossexuais entre adultos consentindo, incluindo casamentos entre homens (Nero casou-se com Sporus, por exemplo).
Mais decisivo: Paulo usa malakoi E arsenokoitai – cobrindo ambos os parceiros. Se ele quisesse condenar apenas pederastia (homens com meninos), haveria termos específicos (paiderastēs). Paulo deliberadamente usa linguagem que abrange qualquer ato sexual entre machos.
PARTE II: RESPONDENDO A ARGUMENTOS REVISIONISTAS
Argumento 1: “Sodoma Foi Destruída por Falta de Hospitalidade, Não por Homossexualidade”
Base do argumento: Ezequiel 16.49 diz que o pecado de Sodoma foi “orgulho, fartura de pão e próspera tranquilidade; ela e suas filhas não ampararam o pobre e o necessitado.”
Resposta exegética:
Ezequiel 16.49 menciona pecados de Sodoma, mas não lista todos os seus pecados. O versículo seguinte (16.50) adiciona: “Eram arrogantes e cometeram práticas repugnantes diante de mim” – linguagem que ecoa Levítico 18.22 (to’evah).
Mais explícito ainda, Judas 7 declara: “Sodoma e Gomorra e as cidades em redor… tendo-se entregue à imoralidade e seguido após outra carne, são postas para exemplo do fogo eterno, sofrendo punição.”
A expressão “seguido após outra carne” (sarkos heteras) indica desvio sexual específico. O contexto de Gênesis 19 mostra que os homens de Sodoma exigiram que Ló entregasse seus visitantes “para que tenhamos relações com eles” (Gênesis 19.5).
Conclusão: O pecado de Sodoma foi multifacetado – injustiça social E perversão sexual. Negar o componente sexual é leitura seletiva do texto.
Argumento 2: “Jesus Nunca Falou Sobre Homossexualidade”
Resposta:
- Jesus reafirmou Gênesis 1-2: Em Mateus 19.4-6, ao ser questionado sobre divórcio, Jesus volta ao fundamento criacional do casamento como união de homem e mulher. Ele estabelece isso como padrão normativo.
- Jesus validou toda a Lei: “Não pensem que vim abolir a Lei ou os Profetas… até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei” (Mateus 5.17-18).
- Jesus condenou porneia: Termo grego amplo que inclui toda imoralidade sexual fora do casamento heterossexual (Marcos 7.21). Para um judeu do primeiro século, porneia incluiria automaticamente as proibições de Levítico 18.
- Silêncio não é aprovação: Jesus também não falou explicitamente sobre incesto, bestialidade ou pedofilia. Seu silêncio não implica aprovação, mas presume o consenso moral judaico baseado nas Escrituras.
Argumento 3: “A Orientação Homossexual É Inata – Deus Não Criaria Alguém Gay para Depois Condená-lo”
Resposta teológica:
Esta objeção pressupõe que desejos inatos são moralmente neutros. A teologia da Queda ensina o contrário.
Romanos 7.18-19: Paulo confessa: “Sei que nada de bom habita em mim, isto é, em minha carne… Não faço o bem que desejo, mas o mal que não quero, esse pratico.”
A doutrina do pecado original afirma que nascemos com natureza corrompida, inclinada ao pecado. Alguns nascem com tendência à ira, outros ao orgulho, outros à cobiça. A presença de um desejo desde a infância não o torna parte do design original de Deus.
Distinção crucial: tentação vs. pecado
Sentir atração pelo mesmo sexo não é, em si, pecado. É uma tentação resultante da Queda. O pecado ocorre quando:
- Cultivamos e alimentamos conscientemente esses desejos (Mateus 5.28 sobre cobiçar)
- Agimos sobre eles fisicamente
A Bíblia chama todos os cristãos ao domínio próprio sobre desejos desordenados, sejam eles heterossexuais ilícitos, homossexuais, ou outros.
PARTE III: DIREÇÃO PASTORAL
Para a Igreja: Verdade e Compaixão Não São Opostos
A igreja evangélica tem falhado frequentemente em equilibrar verdade bíblica com amor cristão. Precisamos nos arrepender de dois erros opostos:
Erro 1: Hostilidade e rejeição
Tratar pessoas LGBT+ com desprezo, piadas cruéis ou exclusão social não reflete Cristo. Jesus comia com pecadores, tocava leprosos e dialogava com samaritanos. Nossa firmeza doutrinária nunca deve vir acompanhada de dureza relacional.
Erro 2: Capitulação doutrinária disfarçada de “amor”
Redefinir o pecado como “diversidade” ou afirmar que “Deus ama você do jeito que você é” (quando “jeito que você é” inclui prática pecaminosa) não é amor – é abandono pastoral. Amor verdadeiro diz a verdade, mesmo quando dói (Provérbios 27.6).
Para Cristãos que Experimentam Atração pelo Mesmo Sexo
Você pode se surpreender ao saber: há cristãos fiéis, amados por Deus, que experimentam atração pelo mesmo sexo mas escolhem viver em celibato ou, em alguns casos, em casamento heterossexual.
Sua identidade não é definida por seus desejos.
1 Coríntios 6.11, logo após listar pecadores (incluindo arsenokoitai), Paulo declara: “Assim foram alguns de vocês. Mas vocês foram lavados, foram santificados, foram justificados no nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito de nosso Deus.”
Note: “assim foram alguns de vocês”. Mudança é possível – não necessariamente mudança de orientação (alguns experimentam, outros não), mas mudança de identidade e comportamento.
Você não está sozinho:
Ministérios como Restored Hope Network e autores como Rosaria Butterfield (ex-professora lésbica que se converteu) documentam jornadas de cristãos que abraçaram a ética bíblica sem negar suas lutas. A igreja deve ser o lugar de acolhimento, discipulado e suporte.
A chamada ao celibato não é punição:
Jesus foi celibatário. Paulo foi celibatário. O celibato, quando abraçado por obediência a Cristo, é uma vocação honrosa (1 Coríntios 7.7-8), não uma prisão.
Para Pais e Famílias
Se seu filho/a revelou atração pelo mesmo sexo:
- Não entre em pânico. Atração não é identidade definitiva nem pecado em si.
- Não rejeite. Seu amor incondicional é o reflexo do amor de Cristo.
- Não force “cura” instantânea. Mudança de orientação pode ou não ocorrer; santificação é um processo.
- Busque ajuda pastoral sábia. Evite tanto terapias de conversão coercitivas quanto afirmação não-bíblica.
Recursos recomendados:
- Rosaria Butterfield, “Pensamentos secretos de uma convertida improvável“
- Sam Allberry, “Deus é contra os homossexuais?“
- Andreas J. Köstenberger & David W. Jones, “Deus, casamento e família“
- Robert A. J. Gagnon, “A Bíblia e a prática homossexual“
Para Pastores e Líderes
Preguem a verdade bíblica claramente – mas não faça da homossexualidade o único pecado sexual que você aborda. Igrejas que são silenciosas sobre fornicação heterossexual, pornografia e divórcio, mas vocais sobre homossexualidade, revelam hipocrisia, não santidade.
Criem comunidades de discipulado real – onde cristãos que lutam com atração pelo mesmo sexo possam confessar, buscar ajuda e crescer, sem medo de rejeição ou exposição.
Ensinem sobre sexualidade de forma positiva – não apenas “não faça X, Y, Z”, mas “Deus criou a sexualidade para esta glória, neste contexto, com este propósito”.
Conclusão: Graça e Verdade Encarnadas
A tentação em debates sobre homossexualidade é escolher entre verdade sem graça (fundamentalismo hostil) ou graça sem verdade (liberalismo teológico).
Jesus nos chama a encarnar ambas (João 1.14).
A verdade bíblica é clara: Deus criou a sexualidade humana para expressão dentro do casamento entre um homem e uma mulher. Práticas homossexuais violam esse design e são identificadas consistentemente nas Escrituras como pecado.
A graça do Evangelho é mais clara ainda: Nenhum pecado – incluindo práticas homossexuais – está além do alcance do sangue de Cristo. “Onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Romanos 5.20).
A igreja deve ser o lugar onde pecadores de todo tipo – incluindo aqueles que lutam com sexualidade – encontram não tolerância condescendente, mas transformação pelo Espírito, suporte de irmãos e a glória de viver para a honra daquele que nos amou primeiro.
Este é um tema que afeta famílias reais, igrejas reais e pessoas que você conhece. Como sua comunidade cristã pode equilibrar melhor fidelidade bíblica e compaixão pastoral? Que passos práticos sua igreja pode tomar para ser um lugar de santidade E refúgio? Compartilhe sua reflexão nos comentários – com respeito e graça.
O que a Bíblia realmente diz sobre a prática homossexual?
Num dos debates mais sensíveis e polarizados do nosso tempo, opiniões abundam. Mas quantos estão dispostos a enfrentar o texto bíblico com rigor exegético, contexto histórico e honestidade teológica?

Em A Bíblia e a prática homossexual, Robert A. J. Gagnon oferece aquela que muitos consideram a análise mais abrangente já produzida sobre todas as passagens bíblicas relacionadas ao tema.
Não é um panfleto.
Não é um ataque retórico.
É um estudo detalhado, técnico e cuidadosamente argumentado.
Gagnon dialoga com estudiosos favoráveis e contrários à posição histórica cristã. Examina o contexto do Antigo e do Novo Testamento. Avalia argumentos contemporâneos que tentam relativizar ou reinterpretar os textos. E sustenta, de forma consistente, que a Escritura apresenta uma visão coerente da sexualidade dentro do padrão criacional.
Há um ponto importante: o livro não defende apenas uma posição moral. Ele alerta contra a redução do evangelho — seja pelo abandono da verdade bíblica, seja pela falta de amor no trato pastoral. A preocupação central é preservar a integridade do testemunho cristão: fidelidade à Palavra e compromisso real com o próximo.
⚠️ É uma leitura densa, acadêmica e exigente. Não é superficial. Exige disposição para pensar.
Se você deseja tratar o tema com responsabilidade bíblica, sem slogans e sem simplificações ideológicas, este livro é uma referência indispensável.
📚 Leia, estude, dialogue. Em tempos de confusão, convicções precisam nascer da Escritura — não da pressão cultural.









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