A maior pesquisa teológica dos EUA revela contradições alarmantes entre evangélicos: confessam ortodoxia, mas vivem heresia funcional. Se isso acontece no berço do evangelicalismo, o que dizer da igreja brasileira? Descubra as lições urgentes dessa radiografia da fé contemporânea.
Imagine uma igreja onde 97% dos membros afirmam crer na Trindade – Pai, Filho e Espírito Santo. Parece uma congregação teologicamente saudável, não é? Agora imagine que, nessa mesma igreja, 59% desses mesmos membros consideram o Espírito Santo não como uma pessoa divina, mas como uma “força impessoal”, algo próximo da “energia cósmica” da Nova Era. Contraditório? Impossível? Não. É exatamente o que a pesquisa “The State of Theology” 2025, realizada pela Ligonier Ministries em parceria com a Lifeway Research, descobriu entre evangélicos americanos.
Esse paradoxo não é isolado. A mesma pesquisa revelou que 88% dos evangélicos afirmam que a justiça vem exclusivamente pela fé em Jesus Cristo – o coração da doutrina protestante da justificação pela fé. Mas 57% deles também acreditam que “as pessoas são basicamente boas por natureza, apesar de pecarem um pouco”. Como alguém pode simultaneamente crer na salvação exclusiva pela graça e na bondade inerente da humanidade? São doutrinas mutuamente excludentes. É como afirmar que o sol brilha à meia-noite ou que a água é simultaneamente líquida e sólida na mesma temperatura.
Se isso acontece nos Estados Unidos – berço do evangelicalismo moderno, lar de milhares de seminários teológicos, editoras cristãs robustas e tradição protestante histórica – o que dizer da igreja brasileira? Se lá, onde há estrutura educacional consolidada, a confusão teológica é epidêmica, aqui, onde o crescimento evangélico foi impulsionado primariamente por movimentos pentecostais e neopentecostais com ênfase experiencial em detrimento da doutrina, qual seria o resultado de uma pesquisa semelhante? Os dados brasileiros disponíveis, ainda que menos sistemáticos, sugerem um cenário potencialmente mais grave. E essa é uma conversa urgente que a igreja evangélica brasileira precisa ter consigo mesma.
A Radiografia Teológica: O Que a Pesquisa Descobriu
A pesquisa “The State of Theology” é realizada bienalmente desde 2014 e se tornou a principal radiografia da saúde teológica dos cristãos americanos. A edição de 2025, conduzida entre 6 e 15 de janeiro com 3.001 adultos, utiliza critérios rigorosos estabelecidos pela National Association of Evangelicals (NAE) para identificar evangélicos: aqueles que concordam fortemente com quatro afirmações centrais sobre a autoridade da Bíblia, a importância da evangelização, o sacrifício de Jesus como único remédio para o pecado e a salvação exclusiva pela fé em Cristo.
Os resultados revelam estabilidade geral nas crenças em comparação com anos anteriores – o que, à primeira vista, pode parecer positivo. Mas essa “estabilidade” significa na verdade que as contradições teológicas persistem sem melhora significativa. É como um paciente com doença crônica cujos sintomas permanecem estáveis: não piorou, mas definitivamente não melhorou. E quando olhamos além dos números gerais para as contradições internas, o quadro se torna profundamente preocupante.
As Cinco Contradições Mais Alarmantes
1. A Contradição Trinitária
Enquanto 97% dos evangélicos afirmam crer em “um Deus verdadeiro em três pessoas: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo”, cerca de 59% deles veem o Espírito Santo como “uma força, mas não um ser pessoal”. Isso não é mera imprecisão teológica – é uma contradição fundamental que mina a própria doutrina que se afirma confessar. Como alguém pode simultaneamente afirmar a Trindade (três pessoas divinas distintas) e negar a personalidade de uma dessas pessoas?
Essa confusão revela profunda influência de movimentos como a teologia da prosperidade e o neopentecostalismo, que frequentemente tratam o Espírito Santo como “poder” a ser manipulado através de técnicas espirituais, palavras de ordem ou ofertas financeiras, em vez de reconhecê-Lo como a terceira pessoa da Trindade que age soberanamente conforme Sua vontade. João 3.8 deixa claro: “O vento sopra onde quer. Você ouve o som dele, mas não pode dizer de onde vem nem para onde vai. Assim acontece com todos os nascidos do Espírito” – um ser pessoal com vontade própria, não uma força a ser controlada.
2. A Contradição Antropológica
Cerca de 57% dos evangélicos concordam que “todo mundo peca um pouco, mas a maioria das pessoas é boa por natureza”. Esse otimismo humanista contradiz frontalmente a doutrina bíblica da depravação total ou corrupção da natureza humana pelo pecado original. Não se trata de dizer que o ser humano é incapaz de qualquer bondade relativa, mas que sua natureza fundamental foi corrompida pelo pecado desde a Queda, incapacitando-o de salvar-se a si mesmo ou de agradar plenamente a Deus sem regeneração divina.
Essa visão otimista da humanidade explica por que tantos cristãos abraçam terapeuticamente o evangelho da autoestima, do pensamento positivo e da autorrealização em vez do evangelho do arrependimento, da cruz e da dependência total da graça. Se as pessoas são basicamente boas, então o evangelho se reduz a “melhoramento pessoal” em vez de “resgate radical de pecadores mortos espiritualmente”. Como Efésios 2.1 afirma sem ambiguidade: “Vocês estavam mortos em suas transgressões e pecados” – não feridos, não adoentados, mas mortos, incapazes de qualquer movimento em direção a Deus sem Sua intervenção soberana.
3. A Contradição Soteriológica
Embora 88% dos evangélicos concordem que “Deus conta uma pessoa como justa não por obras, mas apenas pela fé em Jesus Cristo”, cerca de 64% acham que “Deus aceita a adoração de todas as religiões, incluindo cristianismo, judaísmo e islamismo”. Essas crenças são logicamente incompatíveis. Se a justificação é exclusivamente pela fé em Cristo, então religiões que rejeitam Cristo não podem ser caminhos válidos para Deus.
Esse pluralismo religioso disfarçado de tolerância mina o próprio coração do evangelho. Atos 4.12 não deixa espaço para ambiguidade: “Não há salvação em nenhum outro, pois, debaixo do céu não há nenhum outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos”. Ou Cristo é o único caminho, ou Ele é apenas um entre muitos. Não há meio-termo lógico ou bíblico possível.
4. A Contradição Eclesiológica
Cerca de 52% dos evangélicos consideram que “adorar sozinho ou com a família é um substituto válido para frequentar a igreja regularmente”. Esse individualismo religioso contradiz toda a eclesiologia do Novo Testamento, que apresenta a igreja local não como opcional, mas como essencial para o crescimento espiritual, a prestação de contas mútua e o exercício dos dons espirituais. Hebreus 10.25 adverte explicitamente: “Não deixemos de reunir-nos como igreja, segundo o costume de alguns, mas procuremos encorajar-nos uns aos outros, ainda mais quando vocês veem que se aproxima o Dia”.
Essa mentalidade de “cristianismo Netflix” – customizado, individualizado, sem compromisso comunitário – produz crentes espiritualmente isolados, vulneráveis a desvios doutrinários e privados do corpo de Cristo que Deus designou para nossa santificação progressiva.
5. A Contradição Ética
Apenas 82% dos evangélicos consideram sexo fora do casamento tradicional como pecado, 73% veem o aborto como pecado, e apenas 80% rejeitam a ideia de que alguém pode escolher seu gênero independentemente do sexo biológico. Esses números revelam que entre 18% e 27% dos evangélicos adotaram posições éticas contrárias ao ensino bíblico claro em questões morais fundamentais.
A erosão da ética sexual cristã não acontece no vácuo – é sintoma de uma cosmovisão progressivamente moldada mais pela cultura secular do que pelas Escrituras. Quando a fonte de autoridade moral se desloca da Palavra revelada para as preferências individuais ou os consensos culturais, o resultado inevitável é a conformação ao mundo que Romanos 12.2 nos ordena resistir.
O Espelho Brasileiro: Se Lá É Assim, Aqui É Pior
Os Estados Unidos possuem infraestrutura teológica que o Brasil simplesmente não tem na mesma escala. Lá existem centenas de seminários teológicos sólidos, tradição reformada consolidada desde os puritanos, editoras cristãs com séculos de história e cultura de educação teológica acessível. Mesmo assim, a confusão doutrinária é generalizada. No Brasil, onde o evangelicalismo cresceu explosivamente nas últimas décadas primariamente através de movimentos pentecostais e neopentecostais com ênfase na experiência emocional, nos sinais e maravilhas, na batalha espiritual e na teologia da prosperidade – frequentemente em detrimento do ensino doutrinário sistemático – o cenário é potencialmente muito mais grave.
Dados do IBGE revelam que evangélicos representam hoje 26,9% da população brasileira (47,4 milhões de pessoas), crescendo de 21,6% em 2010. Esse crescimento impressionante aconteceu especialmente entre jovens e em regiões mais pobres, impulsionado por igrejas que oferecem não apenas mensagem religiosa, mas também comunidade, esperança de mobilidade social e respostas imediatas para problemas cotidianos. A Região Norte possui a maior proporção de evangélicos (36,8%), seguida pelo Centro-Oeste (31,4%).
Pesquisa do Instituto Locomotiva divulgada em 2024 apontou que seis a cada dez visitas a templos no Brasil são feitas por evangélicos, e 87% deles acreditam na religião como algo importante para eles e para a família. Esse engajamento elevado é positivo, mas levanta uma questão crucial: frequência não equivale a formação teológica. É perfeitamente possível estar na igreja três vezes por semana e ainda assim ser doutrinariamente confuso se o ensino oferecido enfatiza emoção em detrimento de conteúdo, testemunhos pessoais em vez de exposição bíblica, e técnicas de prosperidade ao invés de teologia sistemática.
Os Fenômenos Brasileiros Que Agravam o Problema
Teologia da Prosperidade: Movimento que promete sucesso financeiro, saúde perfeita e realização pessoal através de fé, ofertas e “palavras proféticas”, invertendo completamente o evangelho bíblico do sofrimento redentor, da cruz e da negação de si mesmo. Quando o cristianismo se torna uma fórmula para conquistas materiais, toda a teologia é distorcida para servir a esse propósito pragmático.
Neopentecostalismo Experiencial: Ênfase desproporcional em manifestações espirituais, batalha espiritual territorial e experiências emocionais intensas, frequentemente desconectadas de fundamento bíblico sólido ou supervisão doutrinária adequada. O resultado são gerações de cristãos que “sentem muito” mas “conhecem pouco” das verdades fundamentais da fé.
Gospel Music Comercial: Indústria musical que frequentemente prioriza entretenimento, repetição de clichês teológicos e apelo emocional sobre conteúdo doutrinário profundo, formando uma geração que canta teologia rasa sem perceber.
Ausência de Catequese Sistemática: Diferentemente da tradição reformada clássica que enfatizava catecismos, confissões de fé e instrução doutrinária progressiva, muitas igrejas evangélicas brasileiras oferecem apenas “escola dominical” superficial ou “células” focadas em testemunhos pessoais e oração, sem currículo teológico coerente.
Se nos Estados Unidos, com toda sua estrutura educacional, 59% dos evangélicos veem o Espírito Santo como força impessoal, quantos evangélicos brasileiros, expostos predominantemente a teologias pentecostais que frequentemente tratam o Espírito como “poder” a ser “ativado”, compartilham essa confusão? Se lá 57% acreditam na bondade inerente humana, quantos brasileiros, bombardeados diariamente por mensagens de autoajuda cristã e teologia da autoestima, adotaram o mesmo otimismo humanista incompatível com a doutrina do pecado original?
“Muitas das respostas dos evangélicos nessa pesquisa de 2025 revelam uma alarmante falta de conhecimento bíblico, bem como uma tendência de sustentar crenças contraditórias, aparentemente sem perceber sua inconsistência”, afirma o relatório oficial da Christianity Today sobre a pesquisa. Se essa é a realidade americana, a brasileira provavelmente é ainda mais alarmante. Não temos dados consolidados equivalentes, mas todos os indicadores apontam para o mesmo diagnóstico: confessamos ortodoxia nos credos e hinos, mas vivemos heresia funcional no dia a dia.
Três Lições Urgentes Para a Igreja Brasileira
Lição 1: Educação Teológica Não É Luxo Acadêmico, É Questão de Sobrevivência Espiritual
O professor Ronni Kurtz, do Seminário Teológico Batista do Centro-Oeste, ao analisar a pesquisa americana, afirmou: “Não é preciso muita sabedoria para analisar os números do estudo de 2025 e perceber que há um problema teológico. No entanto, é preciso sabedoria para entender qual é o melhor caminho a seguir. Na minha opinião, o estudo é mais um chamado para o discipulado do que um chamado para uma caça às heresias”[1].
Essa sabedoria pastoral é crucial. O problema não é primariamente que temos hereges infiltrados nas igrejas, mas que temos cristãos sinceros doutrinariamente desinformados. A solução não é inquisição, mas educação. Oseias 4.6 permanece atual: “Meu povo está sendo destruído por falta de conhecimento”. Não conhecimento acadêmico estéril, mas compreensão profunda das verdades fundamentais da fé que moldam cosmovisão, ética e espiritualidade.
Ações Práticas:
- Revitalizar a Escola Dominical: Não como entretenimento infantil ou conversa informal entre adultos, mas como espaço de ensino doutrinário sistemático com currículo bem estruturado
- Implementar Catequese Séria: Recuperar o uso de catecismos históricos (Catecismos de Lutero, Heidelberg, Westminster, Breve Catecismo Batista) adaptados à linguagem contemporânea
- Grupos de Estudo Teológico: Além das células de oração e comunhão, criar grupos focados especificamente em estudo de teologia sistemática, história da igreja e apologética
- Biblioteca da Igreja: Disponibilizar livros teológicos sólidos acessíveis a todos os membros, não apenas ao pastor
- Pregação Expositiva: Priorizar exposição consecutiva de livros bíblicos em vez de séries temáticas ou sermões motivacionais
Lição 2: Cultura Forma Mais Que Púlpito Se Não Houver Discipulado Intencional
Romanos 12.2 adverte: “Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente”. A palavra grega para “transformem-se” é metamorphoō, de onde vem “metamorfose” – mudança radical de dentro para fora. Mas essa transformação não acontece automaticamente por frequentar cultos. Exige discipulado intencional, sistemático e de longo prazo.
Pesquisadores brasileiros observam que o crescimento evangélico é impulsionado por “adaptação muito forte das liturgias evangélicas, ou seja, dos cultos que vão se aproximando do interesse juvenil, seja por meio da estética ou a partir das teologias”. Contextualização é legítima e necessária, mas quando se torna diluição doutrinária para agradar preferências culturais, deixa de ser missional e se torna capitulação.
O problema não é usar música contemporânea ou linguagem acessível – é quando essas formas contemporâneas carregam conteúdo teologicamente raso ou distorcido. Podemos e devemos comunicar verdades eternas em linguagem atual, mas não podemos sacrificar profundidade teológica no altar da relevância cultural.
Ações Práticas:
- Discipulado Estruturado: Programas de formação de discípulos com duração mínima de um ano, cobrindo doutrinas essenciais, ética cristã e cosmovisão bíblica
- Mentoria Intergera cional: Conectar cristãos maduros com novos convertidos em relacionamentos de longo prazo focados em crescimento espiritual
- Análise Cultural Crítica: Ensinar membros a avaliar mensagens culturais (mídia, entretenimento, redes sociais) à luz das Escrituras
- Leitura Comunitária: Ler e discutir juntos livros teológicos clássicos e contemporâneos que aprofundam a fé
- Prestação de Contas: Grupos pequenos onde membros se comprometem mutuamente a crescer em conhecimento e santidade
Lição 3: Confissão Sem Compreensão É Repetição Vazia e Perigosa
Mateus 22.37 registra o maior mandamento: “Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento”. Note: “de todo o seu entendimento”. A fé cristã autêntica envolve as emoções (coração), a vontade (alma) e o intelecto (entendimento). Uma fé que ignora a dimensão racional não é fé bíblica – é sentimentalismo religioso vulnerável a qualquer vento de doutrina.
Quando evangélicos confessam a Trindade mas não compreendem o que estão confessando, quando afirmam justificação pela fé mas vivem como se fosse por obras, quando declaram a exclusividade de Cristo mas abraçam pluralismo religioso, isso revela que estamos repetindo fórmulas teológicas sem entender seu significado ou implicações. É como uma criança que decora a tabuada sem entender matemática – sabe dizer “7 vezes 8 é 56”, mas não sabe aplicar multiplicação a problemas reais.
Ações Práticas:
- Adoração Informada: Explicar o significado teológico dos hinos e cânticos antes de cantá-los, não apenas repeti-los emocionalmente
- Pregação Didática: Pastores devem ensinar, não apenas exortar; explicar, não apenas aplicar; fundamentar biblicamente, não apenas ilustrar emocionalmente
- Perguntas e Respostas: Criar espaços seguros onde membros podem fazer perguntas teológicas sem medo de julgamento
- Credos e Confissões: Recitar regularmente credos históricos (Apostólico, Niceno) com explicação de cada linha
- Teologia Acessível: Traduzir teologia sistemática para linguagem simples sem simplificar a verdade
Sinais de Esperança: O Renascimento do Interesse Teológico
Nem tudo são más notícias. Nos Estados Unidos, pela primeira vez em uma década, a maioria dos seminários registrou crescimento no número de matrículas em 2024, de acordo com a Associação de Escolas Teológicas. O número de estudantes de doutorado em teologia aumentou mais de 13% nos últimos cinco anos, e as matrículas em cursos de extensão dispararam em 46%. Há um redespertar do interesse por doutrina, credos e teologia sistemática.
No Brasil, embora não tenhamos estatísticas tão detalhadas, observamos fenômenos semelhantes: crescimento de editoras evangélicas publicando teologia sólida, popularização de podcasts teológicos, aumento de interesse em cursos de teologia online e presencial, e surgimento de novos seminários e institutos bíblicos. Há uma geração de jovens evangélicos sedentos por profundidade, cansados de superficialidade e prontos para abraçar a beleza intelectual do cristianismo histórico.
Esse renascimento não resolve automaticamente o problema – décadas de má formação teológica não se corrigem em poucos anos. Mas indica que o Espírito Santo está despertando a igreja para a necessidade urgente de retornar aos fundamentos. A questão é: as lideranças responderão a esse chamado? As igrejas locais priorizarão educação teológica? Os membros investirão tempo e energia no crescimento intelectual da fé?
Conclusão: Alarme, Não Sentença de Morte
Esta pesquisa americana – e suas implicações para o contexto brasileiro – não deve nos levar ao pessimismo paralisante ou à arrogância sectária. Deve funcionar como alarme, não como sentença de morte. A igreja sempre precisou de reformas. Ecclesia reformata, semper reformanda – igreja reformada, sempre se reformando. Esse é o espírito protestante autêntico: disposição humilde de submeter continuamente nossas crenças e práticas ao escrutínio das Escrituras.
O diagnóstico é claro: há confusão teológica generalizada entre evangélicos, tanto nos Estados Unidos quanto, provavelmente em escala ainda maior, no Brasil. Confessamos ortodoxia verbalmente, mas sustentamos contradições doutrinais na prática. Dizemos crer na Trindade, mas tratamos o Espírito Santo como força. Afirmamos salvação pela graça, mas vivemos como se fôssemos basicamente bons. Declaramos Cristo como único caminho, mas abraçamos pluralismo religioso. Essa incoerência não é hipoc risia deliberada – é falta de formação teológica adequada.
Mas há esperança. Deus é fiel. O Espírito Santo continua iluminando mentes, renovando corações e despertando fome pela verdade. A Palavra permanece viva e eficaz. A igreja, apesar de todas as suas falhas históricas, é a noiva de Cristo que Ele prometeu purificar e apresentar gloriosa. Nosso chamado não é desesperar, mas agir. Não é julgar, mas ensinar. Não é abandonar a igreja imperfeita, mas reformá-la amorosamente segundo as Escrituras.
Que esta radiografia teológica nos motive não à arrogância daqueles que “sabem mais”, mas à compaixão daqueles que entendem a urgência de compartilhar o conhecimento salvador. Que nos leve não ao isolamento acadêmico, mas ao engajamento pastoral. Que produza não divisão, mas renovação. Porque no fim das contas, conhecer a Deus corretamente não é exercício intelectual estéril – é questão de vida ou morte eterna.
1 Timóteo 4.16 resume perfeitamente nosso chamado: “Tenha cuidado de si mesmo e da doutrina. Persevere nisso, pois, agindo assim, você salvará tanto a si mesmo quanto aos que o ouvem”. Doutrina importa. Teologia importa. Conhecimento de Deus importa. Não porque somos intelectuais orgulhosos, mas porque amamos a Deus com toda nossa mente e desejamos conhecê-Lo como Ele verdadeiramente é, não como imaginamos que seja.
💬 PARA REFLEXÃO E AÇÃO:
- Pessoal: Em quais dessas cinco contradições você se reconhece? Onde sua confissão verbal não corresponde ao seu entendimento real? Que passos concretos você pode tomar para crescer em conhecimento teológico?
- Comunitária: Como sua igreja local pode implementar educação teológica mais robusta? Que recursos estão disponíveis (livros, cursos, materiais) que vocês ainda não estão usando?
- Ministerial: Se você é líder, pastor ou professor, como pode tornar o ensino doutrinário mais acessível sem diluir sua profundidade? Como pode inspirar fome pela verdade em vez de apenas impor obrigação de aprender?
📊 FONTE DA PESQUISA:
Para acessar o relatório completo “The State of Theology” 2025 da Ligonier Ministries e Lifeway Research, visite: https://thestateoftheology.com/
📚 APROFUNDE-SE:
Para recomendações de livros que fortalecem o conhecimento teológico de forma acessível e profunda, confira nossa seção “Livro da Semana”. Esta semana: “Cristianismo Puro e Simples”, de C.S. Lewis – uma introdução magistral à ortodoxia cristã.
Que o Deus da verdade nos conceda sabedoria para conhecê-Lo melhor, humildade para reconhecer nossa ignorância e zelo para crescer continuamente no conhecimento de Cristo Jesus, nosso Senhor. Porque conhecê-Lo é vida eterna.
“E esta é a vida eterna: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.” (João 17.3)
Referências
[1] Pesquisa: evangélicos contradizem suas próprias convicções
📜 A fé não é herdada — é aprendida, confessada e vivida
Ensinar a fé é reacender o fogo da Reforma.

Em Catecismo Maior, Martim Lutero oferece uma das obras mais ricas e necessárias da tradição cristã. Escrito para pastores, pais e mestres, este livro não é apenas um manual de doutrina, mas um guia de vida cristã, nascido do desejo de que o povo de Deus conheça profundamente a Palavra e viva à luz do Evangelho. Com clareza, profundidade e vigor pastoral, Lutero explica os Dez Mandamentos, o Credo, o Pai-Nosso e os sacramentos, mostrando que a fé não é uma teoria abstrata, mas um caminho diário de confiança, obediência e comunhão com Deus.
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