“Este mesmo Jesus, que foi elevado de vocês para o céu, virá da mesma forma que o viram subir”
Atos 1:9-11

A ascensão é o evento mais esquecido do calendário cristão. O Natal enche igrejas, a Páscoa mobiliza famílias, Pentecostes ganha destaque em muitas tradições, mas a ascensão, o momento em que Jesus foi levado aos céus diante dos discípulos, costuma passar em silêncio, tratada como epílogo dispensável da ressurreição, como se fosse apenas Jesus indo embora depois de terminar o trabalho.

A ascensão, porém, é coroação, não simples partida. Lucas registra a cena com sobriedade: depois de quarenta dias aparecendo ressurreto, ensinando sobre o Reino e comendo com os discípulos, Jesus os leva ao monte das Oliveiras. Ali é elevado, e uma nuvem o oculta dos olhos deles. Eles ficam parados, olhando para cima, quando dois homens de branco aparecem e fazem uma pergunta que soa quase como repreensão: “Galileus, por que vocês estão parados olhando para o céu?”

É uma pergunta estranha para o momento. Os discípulos acabaram de ver Jesus partir, e nada seria mais natural do que continuar olhando para cima.

A pergunta revela algo: ficar de olhos no céu não é a resposta certa à ascensão, e a razão está na nuvem. No Antigo Testamento, a nuvem é teologia, não meteorologia. É a presença de Deus: a nuvem que guiou Israel no deserto, a que encheu o tabernáculo, a que tomou o templo de Salomão. Ao dizer que uma nuvem “o recebeu”, Lucas usa a linguagem da presença divina: Jesus não sobe rumo a um espaço vazio, mas é recebido na glória do Pai.

O Salmo 110, o texto mais citado pelos escritores do Novo Testamento, descreve exatamente esse momento: “Disse o Senhor ao meu Senhor: Senta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos como escabelo dos teus pés.” Estar à direita do Pai é o lugar do rei que governa, não um posto qualquer. Jesus ascende ao trono, e de lá reina agora, hoje, não num dia futuro.

“Jesus ascende ao trono, e de lá reina agora, hoje”

O caos do mundo não tem a última palavra. Quando as notícias parecem provar que tudo saiu do controle, quando instituições vacilam, quando o mal avança sem obstáculo aparente, a ascensão responde que há alguém no trono, e não uma força impessoal nem uma ideia vaga: o homem Jesus, com o corpo ressurreto que os discípulos tocaram e viram comer pão, está sentado à direita do Pai, intercedendo por você. Paulo escreve em Romanos 8 que “Cristo Jesus… está à direita de Deus e intercede por nós”, e faz isso neste exato momento.

A ascensão também explica Pentecostes. Jesus havia dito: “É melhor para vocês que eu vá embora, porque se eu não for, o Consolador não virá.” O Espírito vem porque Jesus foi. A presença que antes estava confinada a um corpo caminhando pela Galileia agora pode estar em todo lugar onde houver alguém em Cristo. Longe de diminuir a presença de Jesus, a ascensão a universalizou.

Por isso os anjos redirecionam os discípulos: não fiquem olhando para cima, pois ele voltará; enquanto isso, desçam o monte. A ascensão é o que torna a missão possível, não um convite à contemplação passiva. Um rei entronizado governa por meio de seus embaixadores, e embaixadores não ficam parados olhando para o céu.

Jesus reina agora.


Passo de Discipulado
Esta semana, escolha uma situação da sua vida em que você tem vivido como se ninguém estivesse no controle, uma ansiedade, uma injustiça, uma incerteza que não passa. Ore especificamente sobre isso com uma frase: “Senhor Jesus, tu reinas sobre isso também. Eu confio no Rei.” Se possível, conte a alguém: “Tenho vivido como se o trono estivesse vazio, e ele não está.”


Oração
Senhor Jesus, obrigado porque a ascensão foi coroação, não despedida. Obrigado porque neste momento estás sentado à direita do Pai, intercedendo por mim e reinando sobre tudo o que parece fora de controle. Perdoa-me por viver como se o trono estivesse vazio. Ajuda-me a descer o monte, a parar de olhar para o céu com ansiedade e a agir como embaixador de um Rei que já venceu. Em nome de Jesus, amém.

Quero ir além: Hebreus 4:14-16

Os evangelhos anunciam um Rei. A maioria dos sermões anuncia um bilhete para o céu.

Jesus reina agora. Wright escreveu um livro inteiro para mostrar que essa frase era o centro de tudo que Mateus, Marcos, Lucas e João escreveram, e que a igreja, em algum ponto do caminho, deixou de pregá-la. Substituímos “Deus voltou para governar” por “como salvar minha alma”, e os evangelhos encolheram até caber num folheto. Como Deus se Tornou Rei devolve aos quatro evangelhos o tamanho que eles tinham na boca dos primeiros cristãos: a história de um Deus que assumiu o trono dentro da história, com consequências para a política, a justiça, a criação e a vida comum. Para quem leu este devocional e sentiu que “Jesus reina agora” precisa ser mais do que uma frase bonita, Wright é revelador.

A coroação já aconteceu. A pergunta é se você vive como súdito ou como quem ainda não recebeu a notícia.


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