Jornada 52/39
Uma semana. Uma Palavra. Um passo.
“Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo… a cada um é dada a manifestação do Espírito, visando o bem comum.”
1 Coríntios 12:4-7

Toda equipe já viveu um destes dois problemas: todo mundo tentando fazer a mesma coisa, todo mundo querendo liderar e ninguém querendo apoiar, ou o oposto, ninguém se sentindo capaz o suficiente para contribuir, e tudo caindo sobre duas ou três pessoas exaustas. Os dois cenários nascem da mesma raiz, uma compreensão errada do que significa fazer parte de algo maior que você.
Coríntios era uma igreja obcecada com hierarquia espiritual. Alguns dons, sobretudo línguas, eram tratados como sinal de status superior, prova de ter chegado a um nível mais alto de espiritualidade. As reuniões viraram competição sutil: quem falava mais, quem tinha a experiência mais impressionante, quem parecia mais “cheio do Espírito”. Paulo, que normalmente elogia antes de corrigir, entra direto no problema.
“Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo.” A primeira coisa que ele estabelece é que diferença não é hierarquia. Mais adiante vai listar sabedoria, conhecimento, fé, cura, milagres, profecia, discernimento, línguas, interpretação, uma lista deliberadamente variada, alguns dons visivelmente espetaculares, outros discretos e práticos. O ponto não é ranquear qual é mais espiritual, mas reconhecer que todos vêm da mesma fonte: “o mesmo Espírito”, “o mesmo Senhor”, “o mesmo Deus.”
Paulo segue um padrão trinitário nos versículos 4 a 6: diversidade de dons, mas o mesmo Espírito; diversidade de ministérios, mas o mesmo Senhor; diversidade de operações, mas o mesmo Deus que opera tudo em todos. A unidade não depende de uniformidade, e sim de uma fonte comum. É possível ser radicalmente diferente do irmão ao lado na igreja e, ainda assim, estar profundamente unido a ele, porque a unidade não exige semelhança. Exige que ambos pertençam ao mesmo Deus.
A cada um, escreve Paulo, “é dada a manifestação do Espírito, visando o bem comum.” Não é para autopromoção nem para provar espiritualidade, mas para o bem comum, para que o corpo inteiro seja edificado. O dom não existe para você brilhar; existe para que outros sejam servidos através dele. Isso desloca a pergunta que a maioria faz sobre dons espirituais. Não se trata de perguntar qual dom faria alguém parecer mais impressionante, nem sequer qual é o próprio dom isoladamente, mas como o que Deus colocou em cada um serve às pessoas ao redor.
“O dom não existe para você brilhar”
O quinto ato da redenção segue esse mesmo fio: o Espírito que formou um povo em Atos 2, que deu ousadia aos apóstolos em Atos 4, que derrubou fronteiras em Atos 10, agora distribui dons variados para que esse povo diverso funcione como um só corpo. A igreja cresce por causa da diversidade de dons, não apesar dela. Ninguém tem tudo, todos têm algo, e o crescimento acontece quando cada parte contribui com o que recebeu, não competindo, mas servindo.
O evangelho torna isso possível. Enquanto alguém estiver tentando provar o próprio valor através do dom, vai competir. Só quando entende que esse valor diante de Deus já foi estabelecido na cruz, não pelo que produz, mas pelo que Cristo já fez, consegue usar o dom livremente, sem precisar que ele o torne superior a ninguém.
O corpo cresce em amor, não em competição..
Passo de Discipulado
Identifique um dom, habilidade ou capacidade que você tem usado mais para se destacar do que para servir. Esta semana, use esse mesmo dom de forma deliberadamente discreta, sem crédito, sem reconhecimento, apenas para o bem de alguém específico. Depois converse com um irmão de confiança: “Que dom você vê em mim que talvez eu não reconheça?”
Oração
Pai, obrigado pela diversidade de dons que o Espírito distribui na tua igreja. Perdoa-me por comparar meu dom com o dos outros, por competir em vez de servir, por buscar reconhecimento em vez de edificação. Ajuda-me a usar o que me deste para o bem comum, confiando que meu valor já está seguro em Cristo. Que eu contribua com alegria para o crescimento do corpo. Em nome de Jesus, amém.
Quero ir além: Romanos 12:4-6
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Os dons servem ao bem comum, não à autopromoção. Stott sai desses sete versículos e percorre a carta toda que os contém, mostrando o que uma igreja parece quando esse princípio funciona de verdade.

Sinais de Uma Igreja Viva parte de Atos, a mesma fonte que sustentou toda esta série, e chega a 1 Coríntios para identificar as marcas concretas de uma comunidade cheia do Espírito: comunhão real, adoração que não é performance, ensino fiel da Palavra, evangelização que nasce naturalmente da vida em comum. Stott não trata essas marcas como ideal inatingível, mas como o que Cristo já pretendia para sua igreja, e pergunta, sem rodeios, o que cada leitor pode fazer para que elas apareçam onde ele está. Se o dom existe para o bem comum, este livro mostra a que tipo de comunidade esse bem comum dá origem.
Qual é a igreja que resulta dos dons a serviço?









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